A venda do Lyon para Michele Kang abriu um novo capítulo na relação entre o clube francês e o Botafogo. Em sua primeira entrevista coletiva como proprietária da equipe, a dirigente comentou pela primeira vez a disputa financeira envolvendo os dois clubes e afirmou que, pelos balanços do Lyon, a SAF alvinegra possui uma dívida com os franceses.
Em entrevista coletiva, a nova dona do Lyon tratou o assunto sem fugir da pergunta. Ao responder sobre o caso, Michele Kang deixou claro que a questão pertence ao período da Eagle Bidco e declarou:
“Essa é a responsabilidade é do Bidco. Nós não temos nada a ver com esse processo. Eu acho que esse processo tem que ser completado de uma forma ou outra. E, da nossa perspectiva, como um clube de futebol, nós gostaríamos de ver os dois clubes, Botafogo e Molenbeek, voltarem a andar com os próprios pés, voltarem às suas histórias, e começarem a trabalhar muito para terem sucesso em seus próprios países. E nós apoiamos tudo isso. E, uma vez que as decisões serão feitas sobre o futuro do Botafogo, eu tenho certeza de que teremos a oportunidade de conversar”.

Textor quer voltar para SAF do Botafogo. Foto: Thiago Ribeiro/AGIF
Michele Kang cobra definição antes de negociar
Na sequência da entrevista, a empresária reforçou que prefere aguardar o desfecho das mudanças no controle da SAF do Botafogo antes de iniciar qualquer conversa. Ela também afirmou:
“Mas, até lá, eu acho que temos que esperar para que todo esse processo seja finalizado. Eu acho que, da perspectiva financeira, é muito difícil dizer o que é certo ou o que é errado. De acordo com as nossas declarações financeiras, que foram auditadas e publicadas a cada seis meses, de acordo com as regras da AMF, claramente mostram que o Botafogo nos deve dinheiro. É muito complexo, difícil explicar em poucos segundos. Eu acho que nós gostaríamos de esperar para que todo o processo seja finalizado e nós estamos ansiosos para conversar com o novo dono”.
As negociações agora dependem da definição da SAF alvinegra. A venda do Lyon ocorreu ao mesmo tempo em que a GDA avançava para assumir o controle do Botafogo. Somente após a conclusão dessa operação será possível abrir uma negociação direta entre a nova administração do clube carioca e Michele Kang. Enquanto isso, o impasse financeiro permanece sem solução: o Lyon afirma ter R$ 727 milhões a receber, enquanto o Botafogo cobra cerca de R$ 745 milhões dos franceses, ambos os valores originados durante a gestão de John Textor.
O impasse financeiro ainda está longe do fim
A troca de comando no Lyon não apagou a disputa entre os clubes, apenas mudou quem estará sentado à mesa nas próximas conversas. O Botafogo continua precisando resolver um problema que se arrasta há meses e envolve cifras milionárias. Sem um acordo, a nova gestão da SAF herdará um conflito pesado logo na largada, e qualquer atraso nessa definição pode afetar o planejamento esportivo e financeiro do clube.




