Enquanto trabalha para fortalecer o futebol e a torcida pede a chegada de reforços como Marcos Leonardo, o Flamengo tem um outro desafio. O time divulgou um estudo interno apontando que poderá pagar cerca de R$ 746 milhões a mais em impostos ao longo dos próximos oito anos, em razão de vetos do governo federal na nova reforma tributária. A informação foi revelada pelo jornalista Rodrigo Mattos e provocou reação imediata da cúpula rubro-negra, liderada por BAP, que já admite a necessidade de cortes de custos no clube.
Apesar do impacto projetado, a diretoria deixou claro que a prioridade é preservar o futebol profissional e manter o modelo associativo, afastando qualquer possibilidade de transformação em SAF. Internamente, a avaliação é de que ajustes serão necessários em outras áreas para absorver o novo cenário fiscal.
Vetos e divergências com o governo
Os vetos do Ministério da Fazenda atingiram dispositivos que reduziriam a carga tributária tanto de clubes associativos quanto de SAFs. Ainda de acordo com o jornalista, segundo advogados tributaristas consultados pelo Flamengo, entidades sem fins lucrativos passariam a arcar com uma carga estimada em 11%, enquanto empresas ficariam em torno de 5%.
O Ministério da Fazenda, no entanto, contesta essa leitura. Em declaração oficial, o assessor da pasta João Pedro Machado Nobre afirmou que “não está claro se há uma desvantagem para um ou para outro” modelo e que a carga final dependerá da compensação por créditos tributários gerados nas operações dos clubes.
Flamengo mantém posição e avalia reação política

FLAMENGO X CORINTHIANS – SUPER COPA REI – MANE GARRINCHA – Fotos: Gilvan ded Souza/Flamengo
Mesmo diante da posição do governo, o Flamengo sustenta, com base em pareceres jurídicos próprios, que haverá sim um aumento significativo da carga tributária. A cúpula rubro-negra entende que o impacto sobre o esporte, especialmente em modalidades olímpicas mantidas pelo clube, não foi devidamente considerado na formulação da reforma.

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Diante disso, o clube trabalha em duas frentes: adequação orçamentária interna e articulação política para tentar reverter os vetos ao longo da tramitação legislativa, buscando reduzir o peso fiscal nos próximos anos.
Opinião da Redação Antenados no Futebol
O caso do Flamengo escancara um dilema estrutural do futebol brasileiro: clubes associativos sustentam múltiplas modalidades, formação de base e impacto social, mas passam a ser tratados fiscalmente como empresas comuns. Se o aumento de impostos se confirmar, o ajuste de custos será inevitável, e a grande questão é até quando será possível “preservar o futebol” sem afetar competitividade e investimento esportivo em médio prazo?




