O grupo de investidores da Futebol Forte União (FFU), representado pela Sports Media, esteve no centro de uma operação financeira que gerou questionamentos no futebol brasileiro. De acordo com o jornalista Rodrigo Mattos, o grupo recebeu R$ 750 milhões por meio de debêntures em uma estrutura que envolveu um fundo administrado por uma gestora investigada em operações da Polícia Federal ligadas ao mercado financeiro e ao Banco Master.
Segundo a apuração, o aporte foi realizado via Fundo Miller, que emprestou o montante com possibilidade de conversão em participação acionária caso a dívida não fosse quitada. Apesar do modelo, a Sports Media sustentou que não havia risco de perda de controle da companhia, mesmo com a estrutura envolvendo capital externo.
A empresa afirmou que os recursos tiveram origem na gestora internacional Farallon, responsável por captar valores com investidores institucionais no exterior. Ainda conforme a versão oficial, não existia qualquer relação direta com o Banco Master ou com investigados, destacando que a ligação ocorreu exclusivamente com o fundo estrangeiro.
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O ponto de atenção está na administração do fundo. A Trustee DTVM, responsável pelo Fundo Miller, é investigada nas operações “Carbono Oculto” e “Compliance Zero”, conduzidas pela Polícia Federal. As apurações indicaram possíveis irregularidades na movimentação de recursos no mercado de capitais.
De acordo com Rodrigo Mattos, executivos ligados à gestora e envolvidos na operação também apareceram nas investigações, levantando suspeitas sobre a utilização de estruturas financeiras para circulação e eventual ocultação de dinheiro. A suspeita é de que a administradora tenha atuado como peça operacional em esquemas mais amplos.
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Apesar das dúvidas levantadas, a operação foi encerrada em agosto de 2025, quando a Sports Media quitou a dívida, pagando cerca de R$ 898 milhões. O movimento gerou lucro aproximado de R$ 150 milhões ao investidor em menos de um ano, antes da liquidação do fundo.
Os recursos foram utilizados para viabilizar a aquisição de direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro dentro da estrutura da FFU, ampliando o poder de negociação do grupo no mercado. A discussão ganha ainda mais peso porque a liga reúne clubes como Atlético-MG, Corinthians, Internacional, Cruzeiro, Fluminense e Vasco, aumentando o alcance do tema no cenário nacional. Nos bastidores, cresce a pressão por maior transparência e regulação, diante do risco de impacto na credibilidade do modelo de investimento adotado no futebol brasileiro.




