O clima entre Gerson e a diretoria do Flamengo ganhou mais um capítulo nesta semana. Pai e empresário do volante, Marcão fez duras acusações contra o presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, e afirmou que a saída do jogador para o Zenit não aconteceu por sua vontade, mas por uma decisão tomada pelo próprio clube ao reduzir a multa rescisória durante a renovação contratual.
A troca de acusações voltou a esquentar os bastidores rubro-negros. Marcão fez questão de rebater críticas e apontar responsabilidade da diretoria rubro-negra na decisão de Gerson.
Em entrevista ao canal bulldogshoworiginal, Marcão respondeu às críticas que recebe desde a transferência de Gerson para o futebol russo. Segundo ele, a decisão final nunca esteve em suas mãos e o Flamengo abriu caminho para a negociação ao estabelecer uma multa considerada baixa para um atleta do nível do volante.
Ataques a Bap e disputa na Justiça aumentam tensão
“Eles jogam a culpa em cima de mim. Se tem alguém que tirou o Gerson do Flamengo, não fui eu, porque eu não sou diretor de clube. O cidadão lá colocou a multa do cara baixíssima na hora da renovação, colocou o valor que o clube do exterior poderia pagar, o clube pagou e ele recebeu o dinheiro. As pessoas acham que o Flamengo me deu esse dinheiro. Pô, cara”, afirmou o empresário.
Marcão também criticou a ação judicial movida pelo Flamengo, que cobra R$ 42 milhões por suposta rescisão antecipada do contrato de direitos de imagem de Gerson. Para ele, a iniciativa foi motivada por perseguição pessoal e não poupou palavras ao falar do presidente rubro-negro.
“Por que quando nós chegamos no Zenit ele não abriu imediatamente o processo? Isso é um ato de covardia. Aquele rapaz que lá está, o senhor Bap, é um covarde. O cara gosta de arrumar problema com todo mundo. Não tenho rabo preso com ele, e o cara cismou comigo. Ele me colocou contra a torcida, pessoal me chamando de mercenário. Ele diz que eu devo R$ 42 milhões. Esquece o Gerson, se ele for processar, vai ter que processar a mim, porque ele disse que depositou na minha empresa o dinheiro”.
Em seguida, o empresário ainda afirmou que existe uma comissão prometida por uma gestão anterior que jamais foi paga: “Quando vim do Olympique de Marseille para o Flamengo, o Flamengo não me deu comissão. O Flamengo simplesmente falou comigo ‘Marcão, nós vamos te dar uma comissão futura’. Eu falei ‘não, tá tudo bem, a gente só quer vir para o Flamengo, vamos trabalhar’. Disse que eu teria um valor dependendo da venda do Gerson, e o jogador foi vendido por um valor tabelado. Eu tô com o documento aqui. Eu teria que receber um valor pela diretoria anterior e agora te pergunto: você acha que esse cidadão cumpriu com o compromisso dele de me pagar? Não. Simplesmente falou que não vai pagar. Tu vê aí quem tá devendo quem”.
Guerra de versões ainda está longe do fim
Enquanto o processo segue na Justiça, Flamengo e Marcão mantêm versões completamente opostas sobre a saída de Gerson e os compromissos financeiros assumidos entre as partes. O episódio amplia um desgaste que dificilmente será encerrado apenas nos tribunais.
Para um clube do tamanho do Flamengo, conflitos públicos desse porte desgastam a imagem institucional e mostram que problemas internos podem continuar repercutindo muito depois da saída de um jogador.




