O debate envolvendo os direitos comerciais do futebol brasileiro ganhou mais um capítulo nesta quinta-feira (14). Durante participação no evento “São Paulo Innovation Week”, o presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, comentou a saída do Palmeiras da Libra e minimizou impactos imediatos da decisão para os contratos atuais do bloco com a Globo.
Segundo o dirigente rubro-negro, o clube paulista continuará recebendo normalmente os valores previstos no acordo vigente até 2029. No entanto, Bap deixou claro que qualquer crescimento financeiro conquistado futuramente pela Libra não deverá incluir o Alviverde após a ruptura com o grupo.
Ao analisar o cenário, o presidente flamenguista afirmou que o desligamento do Palmeiras tem mais repercussão pública do que reflexo operacional neste momento: “Qual o efeito prático do Palmeiras ter saído da Libra hoje? Nenhum. Só o contrato da Globo, mas esse contrato vão ter que cumprir. Cumprindo, vão receber o dinheiro. Mas, se conseguirmos um centavo a mais na Libra, eles não vão receber nada por isso. Não vão ganhar novos pedaços se o bolo aumentar de tamanho. Vai ganhar o que tem direito. Se você não acredita no grupo, pode ir embora. O efeito prático é nenhum. Tem o efeito midiático de parecer que é um “mise-en-scène”, é um jogo de imagem”.
A saída do Palmeiras da Libra pode enfraquecer a liga do futebol brasileiro?
A saída do Palmeiras da Libra pode enfraquecer a liga do futebol brasileiro?
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Bap comenta relação com presidente do Palmeiras, Leila Pereira
Ainda no evento em São Paulo, sobre Leila Pereira, Bap afirmou que separa questões administrativas das relações pessoais e destacou o respeito pela história do clube paulista: “Não tenho problema com ela. Cresci conhecendo o Palmeiras como a “Academia do Futebol” e o Flamengo como um “lixo”, então respeito a história do clube. Quando você é presidente de instituição como eu sou, você torce para o clube em primeiro lugar. Mas a minha opinião não vale nada. Vale o que faço no exercício da função que tenho no Flamengo. E acho que todos deveriam fazer assim. Não falo do que acho da nossa performance em campo. Além disso, fora de campo os clubes deveriam ser amigos”.
“Se alguém achar que fazer birra ou biquinho é por qualquer razão, vou tratar diferente ou vou mudar o que acho por isso. Boa sorte. Eu sou absolutamente blindado emocionalmente e sei separar negócios e sentimentos. Parte do meu sucesso na carreira foi por aprender a fazer isso. E trouxe isso para o futebol. Quando você tem alguém que não lida bem com isso, você acaba tendo desafios. Mas é natural. Os clubes permanecem, são perenes. Os dirigentes, não. A relação dos clubes precisa ser mantida em alto nível”, enfatizou o dirigente.

SP – SAO PAULO – 15/03/2026 – BRASILEIRO A 2026, PALMEIRAS X MIRASSOL – Leila Pereira presidente do Palmeiras durante partida contra o Mirassol no estadio Arena Allianz Parque pelo campeonato Brasileiro A 2026. Foto: Ettore Chiereguini/AGIF
Opinião: discurso de Bap reforça disputa política nos bastidores do futebol

As declarações do presidente do Flamengo deixam evidente que a disputa entre os clubes brasileiros ultrapassa o campo esportivo há bastante tempo. A saída do Palmeiras da Libra aumenta ainda mais a tensão sobre os modelos de divisão financeira e evidencia que os gigantes do país seguem longe de um consenso definitivo para a criação de uma liga nacional mais estável.




