Em coluna publicada no jornal português Record, Jorge Jesus voltou a comentar a passagem pelo Flamengo e explicou novamente os motivos que o levaram a deixar o clube em 2020. Atualmente treinador do Al-Nassr, da Arábia Saudita, o técnico português recordou que a pandemia da Covid-19 teve papel decisivo na decisão de retornar a Portugal.
Jesus destacou que o elenco rubro-negro de 2019 foi um dos grupos mais participativos que comandou ao longo da carreira. Segundo o treinador, os jogadores demonstravam interesse constante nas atividades e buscavam entender os detalhes do trabalho realizado no dia a dia.
Durante sua passagem pelo clube carioca, o português conquistou cinco títulos em menos de um ano, incluindo a Libertadores e o Campeonato Brasileiro. O desempenho daquela equipe acabou marcando uma das fases mais vitoriosas da história recente do Flamengo.
A decisão de deixar o Brasil ocorreu em meio ao início da pandemia. O treinador revelou que testou positivo para Covid-19 naquele período e precisou cumprir isolamento em seu apartamento, situação que influenciou diretamente sua escolha de retornar ao país de origem.
“Foi o grupo que mais se interessou e se preocupou comigo. Interessavam-se em saber o porquê dos exercícios e das conversas com alguns durante o treino. E eu ficava no relvado (gramado) a explicar-lhes tudo, no final. Por isso não teria saído daquela Cidade Maravilhosa se não fosse a Covid-19. O meu primeiro teste deu positivo e o segundo deu inconclusivo. Por precaução fui fechado no apartamento, sozinho”, disse Jesus.
Relato do técnico sobre o período da pandemia
O treinador também descreveu a rotina que enfrentou enquanto estava isolado e como o cenário da pandemia no Brasil o deixou apreensivo naquele momento.
“Os médicos visitavam-me vestidos com fatos (roupas) anti-contágio e os funcionários do clube deixavam a comida à minha porta. Tocavam e fugiam antes de eu abrir. Sentia-me numa prisão. Via as notícias e no Brasil a Covid parecia sentença de morte. Então decidi, se era para morrer, que fosse em Portugal. E vim embora. Sem a pandemia, se calhar hoje ainda estaria no Flamengo. Entre julho de 2019 e abril de 2020 ganhámos cinco troféus e só perdemos quatro jogos”, completou.
“O maior clube que treinei foi o Flamengo. Segundo estudos, só o Barcelona supera a ‘Nação rubro-negra’ em número de adeptos (torcedores). Mas com a grandeza vem a exigência, por vezes sufocante, dada a disputa com o Palmeiras, pelo troféu de ‘clube mais titulado (com mais títulos) do Brasil'”, escreveu ao jornal Record.
Opinião da redação do Antenados no Futebol
As declarações de Jorge Jesus reforçam o impacto que sua passagem deixou tanto no Flamengo quanto em sua própria trajetória profissional. O período coincidiu com uma fase histórica do clube, enquanto o contexto da pandemia acabou interferindo diretamente na continuidade do trabalho naquele momento.
