Em entrevista concedida ao jornal argentino Olé, o técnico do Fluminense, Luis Zubeldía, contou que viveu um momento delicado de saúde no começo do ano. O treinador revelou que precisou se afastar temporariamente das atividades após descobrir uma condição cardíaca durante exames médicos.
O argentino explicou que foi surpreendido ao receber o diagnóstico, que indicou a necessidade de implantar quatro stents para tratar obstruções nas artérias. A descoberta aconteceu após a realização de um exame específico para avaliar a circulação no coração. “Foi um choque. Eu não tinha noção de que tinha quatro stents aos 45 anos. Foi um choque no começo porque foi totalmente inesperado. Mas, olhando para trás, vi o lado bom, que eles detectaram o problema a tempo.”
Zubeldía relatou que a condição foi identificada por meio de uma angiotomografia computadorizada, exame que permitiu detectar alterações nas artérias coronárias. Segundo ele, fatores como histórico familiar e níveis elevados de colesterol contribuíram para o problema. “Meu cardiologista sempre me repreende pela forma como eu encaro o futebol, pela paixão que sinto. As causas? Colesterol alto, fatores hereditários. Acertei em cheio com um exame chamado angiotomografia computadorizada. É incrível que eu esteja dando conselhos médicos, mas…”
Comportamento à beira do campo e visão sobre o futebol brasileiro
Durante a entrevista, o treinador também comentou sobre sua postura intensa durante as partidas. Conhecido por gesticular bastante e discutir com a arbitragem, Zubeldía contou que já buscou ajuda de um psicólogo esportivo para entender melhor esse comportamento.
“Porque gesticulo muito e porque passo dos limites. Sempre tive problemas com a arbitragem, desde os meus tempos de jogador. Aliás, cheguei a consultar o (Marcelo) Roffé, um psicólogo esportivo, sobre isso. Ele sempre me dizia: ‘Não, não com a arbitragem…’ Por isso me identifiquei tanto com o Lucha Acosta quando ele protestou. A gente pensa que reclama porque assim consegue influenciar o árbitro, mas não, é uma forma de desabafar, de ‘ajudar o time’. Embora eu saiba com certeza que não ajuda em nada. Pelo contrário: atrapalha.” O técnico também fez comparações entre o futebol brasileiro e o argentino. Na avaliação dele, o Brasil apresenta alto nível técnico, mas a sequência intensa de jogos e a pressão externa dificultam a manutenção de um padrão constante de desempenho.

Luis Zubeldia tecnico do Fluminense durante partida contra o Flamengo no estadio Maracana pelo campeonato Carioca 2026. Foto: Thiago Ribeiro/AGIF
“No Brasil, vejo mais qualidade, jogadas melhores para a torcida curtir. Exceto quando as partidas ficam caóticas e a pressão é altíssima. É aí que tudo desmorona e eles jogam de qualquer jeito. Aqui, os jogadores atuam sob muita pressão externa. A seleção brasileira está passando por algo parecido agora. E não é fácil lidar com isso. Você joga 12 partidas em um mês, tem quatro jogos ruins seguidos e depois precisa voltar para casa. O rodízio de jogadores se torna excessivo. Estabelecer um estilo de jogo consistente é difícil. Mas, como há investimento, tudo parece mais atraente.”
“Emocionalmente, é uma montanha-russa. É impossível manter um nível de jogo consistente ou resultados positivos. Tudo oscila, é passageiro. Por isso, você precisa ser muito forte mentalmente para se reinventar em um curto período de tempo. É como ter uma prova final a cada três dias.”

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O treinador também afirmou que, neste momento da carreira, seu foco está totalmente voltado ao trabalho no clube carioca, afastando qualquer possibilidade imediata de retorno ao futebol argentino.
“Quem sou eu hoje? Um treinador diferente de antes, porque continuo mudando minha abordagem. Embora a essência seja a mesma. Argentina? É difícil agora por causa de uma fase da minha vida. E agora minha vida é o Fluminense. Enquanto eu estava em São Paulo, a seleção equatoriana me procurou. Cheguei a conversar com o presidente da Federação. Eu sabia que a Copa do Mundo estava praticamente garantida, mas honrei meu contrato.”
Opinião da redação do Antenados no Futebol
O relato de Luis Zubeldía mostra um lado pouco visível da rotina de treinadores de alto nível, que convivem com forte pressão e ritmo intenso de trabalho. O episódio de saúde também reforça a importância de acompanhamento médico constante em ambientes de alta exigência profissional, como o futebol de elite.




