O confronto entre Flamengo e Cruzeiro pelas oitavas de final da Libertadores ganhou um ingrediente extra fora das quatro linhas. Ídolo das duas equipes, Raul Plassmann revelou que estará na torcida pelo Rubro-Negro e aproveitou para fazer críticas ao modelo de clube-empresa, adotado atualmente pela equipe mineira.
Em entrevista ao Lance!, o ex-goleiro afirmou que sua ligação com o Flamengo pesa na escolha. Embaixador do clube, Raul deixou claro que apoiará o time carioca no duelo decisivo, mas foi além ao explicar por que não consegue torcer por equipes que possuem um proprietário.
“Eu vou torcer para o Flamengo sempre. Inclusive, eu sou embaixador do Flamengo. Então é claro que vou torcer para o Flamengo ganhar. Independentemente disso, eu não vou torcer para clube que tem dono. Pelo menos, eu penso assim. Estranho, né? Você tem um dono. E o que o dono quer? Ganhar título? Ele fala que quer ganhar dinheiro, né? Claro, se eu fosse comprar um clube, eu ia querer faturar. Se desse para ser campeão também, tudo bem. Não é uma crítica, é um comentário para o pessoal refletir.”
Raul questiona o modelo de SAF
Na sequência da entrevista, Raul aprofundou sua opinião e afirmou que, em um clube administrado por um proprietário, a torcida perde força para cobrar decisões da gestão. Para o ex-goleiro, o modelo limita o poder de influência dos torcedores sobre os rumos da instituição.
“Se a torcida reclamar, ele vai dizer: ‘Cala a boca. Eu faço o que eu quiser, eu sou o dono do clube’. Aí você vai fazer o quê? Protestar? Vai dizer: ‘Não, aqui você não entra’? Não. Ele é o dono.”
O ex-arqueiro também usou o Flamengo como exemplo para ilustrar sua visão. Segundo Raul, é difícil imaginar um clube associativo sendo vendido, justamente porque não existe um proprietário para receber os recursos de uma eventual negociação.
A discussão vai muito além de Flamengo e Cruzeiro
“Se o Flamengo, por exemplo, fosse vendido para alguém, esse dinheiro iria para quem? O Flamengo não tem dono. Para quem você paga? O Flamengo vale trilhões. Se eu quiser comprar o Flamengo, vou pagar para quem? É muito estranho.” A declaração de Raul reacende um debate que divide o futebol brasileiro. A SAF trouxe organização financeira para diversos clubes, mas também levantou questionamentos sobre o papel do torcedor e os limites do poder de um investidor. Enquanto alguns enxergam a mudança como inevitável, outros, como o ex-goleiro, seguem vendo riscos em transformar uma paixão centenária em um ativo com dono.




