A noite de sábado no Mané Garrincha teve um personagem fora das quatro linhas que atraiu tantos olhares quanto a bola rolando. Mesmo afastado da condução da SAF, John Textor esteve presente no empate entre Botafogo e Internacional, pela Série A, e optou por uma experiência incomum para alguém acostumado aos bastidores do poder.
Longe das áreas restritas do estádio, o empresário decidiu assistir à partida no meio da torcida alvinegra. Com boné e óculos escuros, tentou passar despercebido entre os torcedores, apostando em um clima mais informal e distante do ambiente institucional que marcou sua trajetória recente no clube.
A estratégia, porém, durou pouco. Reconhecido por parte do público, Textor acabou virando alvo de gravações e comentários, situação que ele próprio relatou em vídeos publicados em sua conta pessoal nas redes sociais. Em tom bem-humorado, descreveu a tentativa frustrada de anonimato e a relação que mantém com o Botafogo mesmo fora do cargo. “Meu nome é John Textor, não sou mais presidente, estou disfarçado, vou assistir ao jogo com os fãs. Você pode tirar o homem da presidência, mas você não pode tirar o amor pelo clube do homem. Acho que ninguém vai me reconhecer”. Pouco depois, veio a constatação inevitável: “O disfarce não funcionou. Vou ter que arrumar um novo disfarce, pois estão me filmando”.
A presença de John Textor na arquibancada foi positiva?
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Bastidores do afastamento e reorganização da SAF
A presença de Textor no estádio ocorre em meio a um momento delicado nos bastidores do clube. Após decisão do Tribunal Arbitral da Fundação Getulio Vargas, o empresário foi retirado temporariamente da gestão da SAF, medida que provocou reação imediata da cúpula alvinegra.
Em comunicado oficial, a SAF contestou a determinação e anunciou uma mudança provisória no comando executivo. O escolhido para assumir a função de diretor-geral foi Durcesio Mello, dirigente que presidiu o Botafogo durante o processo de venda e adaptação ao modelo de sociedade anônima do futebol.

RJ – RIO DE JANEIRO – 29/01/2026 – BRASILEIRO A 2026, BOTAFOGO X CRUZEIRO – John Textor dono da saf do Botafogo durante partida contra o Cruzeiro no estadio Engenhao pelo campeonato Brasileiro A 2026. Foto: Jorge Rodrigues/AGIF
A decisão que afastou Textor ainda não encerrou o tema. O caso será novamente analisado na próxima quarta-feira, quando a FGV revisará o cenário e definirá os próximos passos, mantendo o ambiente político do clube em estado de atenção.
Opinião: quando o vínculo supera o cargo
A cena de John Textor na arquibancada expõe um contraste simbólico entre poder e pertencimento. Fora da cadeira principal da SAF, ele buscou reafirmar uma conexão emocional com o Botafogo, algo que não depende de contratos, cargos ou decisões jurídicas.
Ao mesmo tempo, o episódio revela o quanto o Botafogo atravessa uma fase em que o extracampo rivaliza com o desempenho esportivo em termos de atenção. Enquanto a bola rola, o futuro administrativo segue em aberto, e a resolução desse impasse será determinante para definir se a presença de Textor nas arquibancadas será apenas um capítulo curioso ou o prenúncio de um novo equilíbrio de forças dentro do clube.




