A passagem de Davide Ancelotti pelo Botafogo segue repercutindo no cenário internacional. De volta à comissão técnica da Seleção Brasileira ao lado de Carlo Ancelotti, o italiano abriu o jogo sobre a experiência no futebol nacional durante entrevista ao podcast “La Tripletta”, da “La Gazzetta dello Sport”.
Mesmo com uma trajetória curta no comando do clube carioca, Davide afirmou que o período serviu como um divisor de águas em sua evolução profissional. O treinador destacou principalmente a intensidade da rotina enfrentada pelos técnicos no Brasil e o ambiente de pressão constante nos bastidores do futebol nacional.
Ao analisar o cenário que encontrou no Glorioso, o italiano também relembrou as dificuldades de assumir a equipe no meio da temporada, em um contexto completamente diferente daquele que estava habituado na Europa. Ainda assim, valorizou a classificação do clube para a Libertadores ao término da campanha.
A passagem de Davide Ancelotti pelo Botafogo foi positiva?
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Davide Ancelotti destaca intensidade do futebol brasileiro
Durante a entrevista publicada pela “La Gazzetta dello Sport”, Davide comentou sobre o impacto que o futebol brasileiro teve em sua formação profissional. “Foi uma grande experiência e aprendizado para mim. Digamos que decidi começar em um ambiente turbulento para um técnico no Brasil. Os tempos de permanência de um técnico são diferentes no Brasil. A média de permanência é de quatro meses. O Campeonato Brasileiro já trocou 11 ou 12 vezes de técnicos desde o início do ano, então você precisa considerar que os parâmetros são diferentes. Dentro desses parâmetros, é um trabalho difícil, mas é um trabalho que me ensinou muito.”

Davide Ancelotti tecnico do Botafogo durante partida contra o Santos no estadio Engenhao pelo campeonato Brasileiro A 2025. Foto: Thiago Ribeiro/AGIF
O auxiliar da Seleção também falou sobre o desafio de administrar expectativas elevadas no Botafogo após as conquistas recentes do clube. “Tive que lidar com muitas dificuldades porque cheguei no meio da temporada e não estava preparado. No entanto, ainda conseguimos um bom resultado, pois nos classificamos para a Libertadores. Obviamente, as expectativas eram muito maiores. O clube era o campeão sul-americano, o campeão brasileiro, mas considerando também que vendeu muitos jogadores em janeiro, o elenco era completamente diferente. Profissionalmente, estar imerso na imensa pressão que existe sobre um técnico no Brasil me ajudou a entender como reagir nesse tipo de ambiente”, disse Davide.
Em outro trecho da conversa, o treinador detalhou características que considera únicas no futebol brasileiro, especialmente em relação aos gramados e à atmosfera dos estádios. “Sim, eu evoluí como qualquer pessoa que teve essa experiência. Tenho mais experiência, então está no meu histórico e posso usar coisas da minha vida para seguir em frente. Tenho certeza de que você vivencia muitas coisas sendo técnico no Brasil, porque existem muitas dificuldades, é uma realidade completamente diferente. O que não é diferente é a gestão da equipe do presidente, dos jogadores… Esses são os problemas que existem aqui.”
Opinião: passagem no Botafogo ampliou bagagem internacional de Davide
A experiência no futebol brasileiro parece ter acelerado o amadurecimento de Davide Ancelotti como treinador principal. Trabalhar em um ambiente marcado por cobrança imediata, mudanças constantes e pressão das arquibancadas ofereceu ao italiano uma realidade distante do padrão europeu que acompanhou ao lado do pai durante a carreira.
Além do aspecto tático, a vivência no Botafogo também fortaleceu a leitura de gestão de elenco e adaptação cultural do treinador. Agora novamente integrado à comissão da Seleção Brasileira, Davide chega à Copa do Mundo carregando uma bagagem prática que pode influenciar diretamente seus próximos passos como técnico efetivo no futebol europeu.




