As saídas de Alexander Barboza, Savarino e Marlon Freitas do Botafogo tiveram uma motivação muito além do futebol. Ao ge, o ex-diretor de gestão esportiva do clube, Alessandro Brito afirmou que as negociações aconteceram para garantir a sobrevivência financeira da SAF em um dos períodos mais delicados da gestão.
O objetivo era manter o clube funcionando. Em entrevista ao ge, Brito explicou que as vendas foram inevitáveis para evitar novos atrasos e cumprir compromissos financeiros. O ex-dirigente afirmou:
“A saída dos três é muito clara para nós: foi uma questão de sobrevivência. Não havia outro motivo, a não ser vender os atletas diante da melhor proposta e de uma situação real, oficial, para que a gente pudesse honrar os compromissos dentro do clube, sem atrasar salários, pagando jogadores, funcionários e staff em dia”.
Ex-dirigente explica vendas de atletas no Botafogo
Na sequência, Alessandro detalhou o momento vivido pelo Botafogo e destacou que o clube precisou caminhar sem novos aportes financeiros. Segundo ele: “A gente explicou isso para eles. Dentro desse momento de indefinição que vivíamos, e que ainda vivemos, sobre se entra aporte ou não, se vem investidor ou não, se continua John ou não, o Botafogo caminhou com as próprias pernas. E, para caminhar com as próprias pernas, não existe outra receita. Hoje, as receitas vêm da televisão, de patrocínio ou da venda de jogadores. Então, o que o clube podia fazer era vender jogadores para sobreviver e manter os compromissos em dia”.
A perda técnica foi apenas parte do problema. Além do retorno financeiro, Brito lamentou a saída de atletas que exerciam papel importante no elenco. Sobre Marlon Freitas e Barboza, ele afirmou:
“Acho importante ressaltar o quanto eles foram importantes dentro desse processo que foi criado no clube. Marlon e Barboza, nem se fala pela questão da liderança que tinham, não somente dentro de campo, mas também no vestiário e no dia a dia com os colaboradores. Marlon e Barboza, sem sombra de dúvidas, eram os primeiros atletas a chegar ao clube e os últimos a sair. Então, realmente, eram líderes não apenas em questões técnicas, mas também para os jovens. Eles cobravam e incentivavam muito os atletas da categoria de base. Falavam: ‘Estou aqui com meus 30, 32 anos, sou o primeiro a chegar e o último a sair. Você é mais jovem e já quer sair antes de todo mundo?’. Então, era uma liderança muito saudável e positiva, principalmente para os jovens da base. Portanto, a saída dos três foi exclusivamente para que a gente pudesse honrar os compromissos com o staff, com os atletas e com o clube”.
Opinião: as vendas revelam o tamanho da crise
O depoimento de Alessandro Brito expõe um Botafogo que precisou sacrificar peças fundamentais para manter as contas em dia. Quando um clube vende seus líderes por necessidade financeira, o problema ultrapassa o campo e atinge toda a estrutura esportiva. A nova gestão da SAF terá pela frente o desafio de reconstruir a confiança e impedir que decisões desse tipo continuem sendo a única alternativa.




