A derrota do Botafogo por 3 a 0 para o Flamengo no clássico acabou ampliando o ambiente de tensão dentro do Glorioso. O resultado negativo somou-se à eliminação precoce na pré-Libertadores e fez crescer a pressão sobre o técnico Martín Anselmi neste início turbulento de temporada.
Logo após o apito final no Estádio Nilton Santos, o vestiário alvinegro ficou fechado por mais de uma hora. Jogadores, comissão técnica e dirigentes participaram de uma reunião considerada intensa, marcada por cobranças internas e uma tentativa de alinhar posições diante do momento delicado vivido pelo clube.
Posteriormente, já na entrevista coletiva, Martín Anselmi explicou o motivo da demora para aparecer diante da imprensa e confirmou que houve uma conversa direta entre todos os envolvidos.
“Imaginem muitas coisas, imaginem até mais do que realmente aconteceu. Nós simplesmente conversamos entre jogadores, comissão técnica e diretoria. Estamos juntos, muito juntos. Se houvesse algo além disso, ficaria no vestiário. Eu gostaria de contar tudo aos torcedores, porque eles merecem, mas não para todo o Brasil. Posso garantir que vamos lutar por essa camisa.”
Anselmi sente pressão da torcida do Botafogo
Entretanto, o clima nas arquibancadas também pesou. Durante o clássico contra o Flamengo, parte da torcida perdeu a paciência e chegou a chamar o treinador argentino de “burro”. Foi o momento de maior pressão pública enfrentada por Anselmi em 2026, ainda que vaias já tenham aparecido em partidas anteriores.
Contudo, apesar das críticas externas, o técnico ainda mantém respaldo dentro do clube. Nos bastidores da SAF e também no associativo, existe o entendimento de que o desempenho poderia ser melhor. Ainda assim, alguns dirigentes pedem cautela, lembrando que o início do trabalho foi impactado por problemas administrativos, como o transfer ban que impediu a inscrição de reforços.
Além disso, a turbulência administrativa passou a afetar o futebol. O proprietário John Textor enfrenta um embate interno com investidores e também perdeu parte do apoio do associativo. Paralelamente, o elenco chegou a pressionar a diretoria pelo pagamento de direitos de imagem que ficaram atrasados por meses, situação que contribuiu para o clima instável.

Barboza jogador do Botafogo reclama com a arbitragem durante partida contra o Flamengo no estadio Engenhao pelo campeonato Brasileiro A 2026. Foto: Jorge Rodrigues/AGIF
Opinião do Antenados do Futebol
Portanto, o cenário mostra que a crise no Botafogo não se resume apenas aos resultados dentro de campo. A reunião no vestiário após a derrota para o Flamengo indica uma tentativa clara de reorganizar o ambiente e evitar um desgaste maior. No entanto, se as vitórias não voltarem rapidamente, especialmente nos próximos jogos contra Palmeiras e Bragantino, a pressão sobre Anselmi tende a aumentar ainda mais.

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