O ex-técnico do Botafogo, Renato Paiva, chamou atenção ao revelar bastidores delicados de sua passagem pelo futebol brasileiro. Durante uma entrevista concedida ao quadro Área Técnica, o treinador afirmou que sua família chegou a receber ameaças enquanto ele trabalhava no Bahia. Além disso, Paiva também criticou duramente o empresário John Textor, dono da SAF do Botafogo, que vem enfrentando turbulências na gestão das empresas que comandam o futebol.
Antes de tudo, Renato Paiva construiu boa parte da carreira na formação de atletas no Benfica, em Portugal. Contudo, sua trajetória no Brasil começou quando assumiu o Bahia em um momento de transformação institucional, logo após a criação da SAF ligada ao Grupo City. Durante esse período, o treinador viveu momentos intensos dentro e fora de campo.
Portanto, ao relembrar aquele momento, Paiva revelou que a situação extrapolou o ambiente esportivo. Segundo ele, mensagens ameaçadoras chegaram até sua filha nas redes sociais, algo que o marcou profundamente. “Houve entradas no Instagram da minha filha ameaçando-a. Aquilo ultrapassou limites e pesou muito na minha decisão”, explicou o treinador ao comentar o motivo de sua saída do clube baiano.
Acusações contra John Textor no Botafogo
Posteriormente, o português também falou sobre sua conturbada passagem pelo Botafogo, onde viveu um dos momentos mais comentados de sua carreira. Embora tenha conquistado uma vitória histórica contra o PSG no Mundial de Clubes, Paiva afirmou que sua saída aconteceu por um motivo diferente do divulgado publicamente.
De acordo com o treinador, o verdadeiro problema teria sido a tentativa de interferência em decisões técnicas. “Eu fui despedido exatamente porque não traí os meus princípios. Essa pessoa quis interferir constantemente no meu trabalho e eu não deixei”, declarou Paiva, em referência direta ao dono da SAF alvinegra.
Além disso, o técnico revelou um episódio curioso envolvendo o lateral Cuiabano. Segundo ele, recebeu uma orientação para não escalar o jogador em uma posição ofensiva, mesmo com o atleta apresentando grande desempenho. Para Paiva, a decisão estaria ligada a interesses de mercado.
“Cuiabano estava fazendo gols e sendo um dos melhores em campo. Recebi um recado dizendo que eu não poderia colocá-lo de ponta, porque precisava ser vendido como lateral”, afirmou. Em seguida, o treinador questionou a lógica da situação: “Essa preocupação é com o Botafogo ou com outra coisa? É uma pergunta que deixo no ar.”

Renato Paiva, ex-técnico do Botafogo. Foto: Thiago Ribeiro/AGIF
Opinião do Antenados do Futebol
Diante de tantas revelações, fica evidente que a passagem de Renato Paiva pelo futebol brasileiro foi marcada por episódios intensos dentro e fora das quatro linhas. Contudo, suas declarações também levantam um debate importante sobre a autonomia dos treinadores em clubes que possuem estruturas empresariais. No futebol moderno, a relação entre gestão e comissão técnica precisa ter limites claros, caso contrário, decisões esportivas podem acabar sendo influenciadas por interesses que vão além do campo

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