Na tarde desta sexta (21), no CT Dr. Joaquim Grava, o técnico Cuca comandou seu primeiro treinamento no Corinthians. A atividade do dia fez parte da preparação do Timão para seu compromisso de estreia válido pelo Brasileirão: domingo (23), às 19h, no Estádio da Serrinha, em Goiânia, diante do Goiás, pela 2ª rodada da competição nacional. O técnico chega ao time sob fortes protestos por ter condenação junto a outros dois jogadores do Grêmio, em 1989, sob a acusação de estupro de uma menina de 13 anos, em Berna, na Suíça.
Os protestos começaram nas redes sociais depois do anúncio do novo treinador, que substitui Fernando Lázaro. Em seguida, muros foram pichados na sede do Parque São Jorge com dizeres como “Fora Cuca” e “Diretoria incompetente”. E terminaram na porta do CT, com mais faixas contra o treinador, que negou ter cometido o crime em coletiva de imprensa.
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“Se a vítima disse que eu não estava e eu juro por Nossa Senhora, que eu amo, que eu não estava, como é que eu posso ser condenado pela internet? O mundo mudou, eu sei disso, sei que a mulher tem uma autodefesa maior, e eu quero fazer parte disso. Eu sou pai, sou avô, sou marido, sou filho. Quero poder cada vez mais ajudar. Por isso estou aqui, um time que tem 53% de torcida feminina”, disse ele, completando que apoia a causa “Respeita as minas”.
Em quase 25 anos como técnico, Cuca acumula títulos de Conmebol Libertadores, Brasileirão, Copa do Brasil e diversos estaduais pelo país. Junto a ele, chegam Cuquinha, auxiliar técnico, e Daniel dos Santos Cerqueira, analista de desempenho, que se juntarão à comissão técnica permanente. Segundo o profissional, seu maior arrependimento foi não ir à audiência. Ele conta que estava num quarto em “L”, mas não se aproximou da jovem.
“Eu tinha 23 anos, era quebrado. Não tinha dinheiro nem para fazer um voo daqui para Porto Alegre, quanto mais para ir pra lá (Europa). Era um funcionário do Grêmio, jogava no Grêmio. Hoje, se fosse no tempo de hoje, se tivesse acontecido agora, ia me favorecer muito. Você ia ouvir a moça: ‘Não, ele não estava. Não, ele não estava. Não, ele não estava’. Foram três vezes. Pronto. Eu já estou absolvido. Não existe coisa mais absoluta do que a palavra da vítima. Existe? Não, não existe”, questionou ele.
