Tem amizade que nasce na escola ou no trabalho, e tem aquela que surge de um jeito completamente aleatório, atravessa um oceano e vai parar numa final de Champions League. É exatamente o caso da relação entre torcedores de Fluminense e PSG, que voltou a chamar atenção neste sábado (30) com a presença do presidente tricolor Mattheus Montenegro entre os ultras parisienses.

Tudo começou em 2012, quando o psicanalista e professor da UERJ Gustavo Coelho desembarcou na França para aprofundar sua tese de doutorado sobre culturas marginalizadas da juventude. Como futebol e arquibancada costumam andar de mãos dadas quando o assunto é identidade social, as torcidas organizadas viraram parte importante da pesquisa.

Na época, Gustavo se aproximou da K-Soce Team, grupo de torcedores do PSG que possuía identificação com pautas de esquerda e era formado majoritariamente por imigrantes, árabes, muçulmanos e negros de famílias africanas. O que começou como objeto de estudo rapidamente virou amizade. Entre um jogo e outro, aconteceram trocas de camisas, adesivos e muitas histórias de arquibancada.

Fluminense e PSG: uma parceria que ganhou o mundo do futebol

A conexão ficou ainda mais forte em 2014, quando integrantes da torcida francesa vieram ao Brasil e conheceram de perto o universo tricolor. Desde então, a relação se manteve viva através de mensagens, visitas e demonstrações de carinho que ultrapassaram o futebol. Em 2018, por exemplo, os franceses chegaram a homenagear o nascimento do filho de Gustavo com uma faixa especial.

Mas foi em 2023 que a parceria viralizou de vez. Na semana da final da Libertadores entre Fluminense e Boca Juniors, o PSG entrou em campo com uma faixa estampando a mensagem “vamos tricolores, chegou a hora”. O recado cruzou o Atlântico e mostrou para muita gente que aquela amizade não era apenas mais uma história de arquibancada.

O gesto ganhou resposta no ano seguinte. Antes da final da Liga dos Campeões contra a Inter de Milão, torcedores do Fluminense exibiram uma faixa com a frase “vamos Paris, nada te impede”. A corrente positiva parece ter funcionado: o PSG atropelou a equipe italiana por 5 a 0 e levantou a taça.

Da arquibancada ao apoio internacional

Agora, com mais uma final europeia no horizonte, a parceria segue firme. O PSG voltou a disputar a decisão da Champions, desta vez contra o Arsenal, enquanto tricolores seguem demonstrando apoio ao clube francês. E a prova de que essa amizade continua forte está nas bandeiras do Fluminense espalhadas pelas arquibancadas de Paris e na presença de Mattheus Montenegro ao lado de organizadas do time.

Em disputa de pênaltis, o Paris Saint-Germain venceu o Arsenal na final. Após sair atrás no placar logo no início, o PSG buscou o empate, que perdurou até o final da prorrogação, e nos pênaltis, levou o troféu, que foi muito comemorado pelo mandatário tricolor.