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SAF do Vasco vira assunto no Palmeiras por relação com enteado da presidente Leila Pereira

Grupo ligado à presidente do Palmeiras avança em negociação pela SAF do Vasco e caso levanta debate sobre regras do fair play financeiro

Leila Pereira presidente do Palmeiras antes da partida contra o Bahia no estádio Arena Allianz Parque pelo campeonato Brasileiro A 2025. Foto: Fabio Giannelli/AGIF
Leila Pereira presidente do Palmeiras antes da partida contra o Bahia no estádio Arena Allianz Parque pelo campeonato Brasileiro A 2025. Foto: Fabio Giannelli/AGIF

O Palmeiras se viu envolvido indiretamente em um novo movimento do mercado do futebol brasileiro. Isso porque o grupo liderado por Marcos Lamacchia, enteado da presidente Leila Pereira, avançou nas tratativas para a compra da SAF do Vasco.

Grupo ligado ao Palmeiras avança em negociação

Representantes do empresário já iniciaram contatos com a Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF) para apresentar a estrutura da empresa que pretende assumir o controle do clube carioca. A ideia é alinhar previamente o modelo com as regras do Sistema de Sustentabilidade Financeira antes de qualquer avanço definitivo na negociação, que pode ser concluída ainda em 2026.
A ligação familiar entre Marcos Lamacchia e Leila Pereira colocou o caso sob atenção das normas do fair play financeiro. O regulamento prevê restrições para que uma mesma pessoa ou grupo tenha influência sobre mais de um clube. Segundo o estatuto, há impedimento quando existe “capacidade de dirigir políticas financeiras ou operacionais, exercer veto relevante ou deter participação significativa”, o que exige análise detalhada da estrutura proposta.

ANRESF avalia cenário e pede cautela

A aproximação do grupo foi vista de forma positiva pela agência, justamente por antecipar possíveis ajustes antes da concretização do negócio. Ainda assim, a entidade sinaliza que a avaliação será rigorosa. “Uma pessoa não pode ser diretora esportiva de dois clubes ao mesmo tempo, isso é bem objetivo. Isso cria série de implicações éticas que podem comprometer a integridade da competição”, afirmou o presidente da ANRESF, Caio Resende, ao GE.
Uma das alternativas estudadas para viabilizar o negócio é a criação de um “blind trust”, modelo que transfere o controle dos ativos para um fundo independente, sem influência direta dos proprietários. Essa solução poderia ser utilizada até o fim do mandato de Leila Pereira no Palmeiras, previsto para dezembro de 2027, reduzindo possíveis conflitos regulatórios.
“O que a gente percebe lá fora é que, como a estrutura dos multiclubes está se tornando muito complexa, às vezes é difícil analisar sob o ponto de vista societário”, completou Caio Resende ao GE.
O caso reforça um debate crescente no futebol brasileiro sobre limites de atuação de investidores e possíveis impactos na competitividade das competições nacionais.

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Opinião da Redação Antenados no Futebol

O envolvimento indireto do Palmeiras em uma possível SAF do Vasco evidencia um tema cada vez mais sensível no futebol moderno: a expansão dos modelos de multiclubes e seus limites regulatórios. Ainda que a negociação não envolva diretamente o clube paulista, a conexão familiar levanta questionamentos legítimos sobre influência e integridade competitiva. A adoção de mecanismos como o “blind trust” pode ser uma saída técnica, mas não elimina totalmente o debate sobre transparência e governança. A questão que fica é: o futebol brasileiro está preparado para lidar com estruturas cada vez mais complexas sem comprometer a equidade esportiva?

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