A saída de Filipe Luís do Flamengo voltou a ser tema após novas declarações de José Boto. O diretor de futebol rubro-negro relembrou a decisão tomada no início da temporada e afirmou que a mudança foi considerada necessária para o planejamento da equipe. Além disso, o dirigente destacou que o processo de avaliação ocorreu de forma objetiva, sem influência de fatores emocionais. Durante entrevista ao jornal português A Bola, Boto explicou os motivos que levaram à troca no comando técnico e deixou claro que a decisão não teve relação com a competência de Filipe Luís.
“Aqui no Brasil quase todos os dias são teste de fogo à gestão, porque há muitas questões emocionais a que não estamos habituados na Europa. Nós tomamos as decisões de uma maneira mais racional, não há essa emoção. Portanto, qualquer decisão aqui é sempre emocional, tem sempre uma repercussão grande, principalmente na imprensa e torcida. Agora, foi a decisão que achamos a mais correta na altura.
Nada tem a ver com o valor do treinador, que o provou ganhando aquilo tudo. Só que, às vezes, para se continuar a ganhar, é preciso mudar. E foi isso que achamos. Se tivemos razão ou não, vamos ver no final da temporada. Quando tem de tomar decisões, nunca sabe a que vão levar. Mas por isso é que estamos nesta posição, é para tomarmos essas decisões e para depois também termos as consequências das mesmas.”
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Diretor diz que emoção dificulta decisões no futebol brasileiro
Posteriormente, Boto voltou a abordar a influência do aspecto emocional dentro dos clubes brasileiros. Na avaliação do português, a forte ligação afetiva existente no futebol nacional pode tornar decisões profissionais mais difíceis de serem executadas.
“Quem identifica o problema e dá a solução sou eu. Talvez por ser europeu não sinta tanto essa parte emocional que houve nesta casa com a despedida do Filipe. Mas, como também há aí em outros casos, de uma emoção muito grande, que não estou dizendo que é má… É boa, a paixão criada pelo futebol é boa, mas muitas vezes noto que dificulta as decisões que têm de ser tomadas. Enquanto na Europa já passámos essa fase e somos mais pragmáticos, tomamos as decisões que achamos as mais corretas, não pensamos no que as pessoas vão pensar ou qual vai ser a reação, aqui há mais esse cuidado.”

Foto: Divulgação/Flamengo
Leonardo Jardim recebe elogios
Contudo, o dirigente também aproveitou para comentar o trabalho de Leonardo Jardim. De acordo com Boto, a capacidade de adaptação do técnico foi um dos fatores determinantes para sua contratação. Segundo o diretor, o português consegue modificar seu modelo de jogo de acordo com as características do elenco disponível, algo que pesou na escolha da diretoria.
“Considero o Leonardo um treinador mais camaleônico, capaz de se adaptar a diferentes contextos. Se analisarmos o Monaco dele, nada tinha que ver com o Sporting que também treinou. Esse também foi um dos motivos que nos levou a escolha, sabermos que se iria adaptar bem com aquilo que tinha aqui para trabalhar. O mercado já estava fechado também e não podíamos mexer muito. E ele é um treinador muito bom para fazer isso. O perfil não acho que seja assim tão diferente.”




