O centroavante Arthur Cabral não escondeu a irritação após a derrota do Botafogo para o Bahia, neste sábado (30), em Salvador. Em uma entrevista carregada de críticas, o atacante apontou falta de critério da arbitragem brasileira, contestou as condições do gramado da Arena Fonte Nova e ainda rebateu declarações feitas recentemente contra o piso sintético do Nilton Santos.
Segundo ele, situações semelhantes vêm sendo interpretadas de maneiras diferentes de uma partida para outra, gerando prejuízos esportivos para algumas equipes.
Ao comentar o tema, Arthur relembrou um confronto recente e afirmou que os critérios adotados mudam constantemente. “Cara, é complicado. A gente foi muito prejudicado. Quando eu jogava na Europa, eu via as entrevistas e prometi para mim mesmo que quando eu jogasse no Brasil não ia falar de arbitragem, porque é muito cansativo. Mas eu não quero falar da arbitragem dele. Quero falar da falta de critério, porque a gente veio de um jogo lá em São Paulo que teve 19 minutos de bola rolando no segundo tempo. E não tem cartão amarelo por cera, não tem escanteio, não tem nada. Aí, chega um outro árbitro, ele dá um escanteio, começa a dar amarelo por cera, vai e expulsa o Neto. É complicado!”
Após as críticas de Arthur Cabral, qual é o maior problema do futebol brasileiro atualmente?
Após as críticas de Arthur Cabral, qual é o maior problema do futebol brasileiro atualmente?
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Arthur Cabral contesta resultado e critica estado do gramado
Mesmo com a derrota, o camisa 98 destacou a atuação da equipe e afirmou que o Botafogo teve condições de sair de campo com um resultado melhor. Na avaliação do jogador, o desempenho apresentado, especialmente após a expulsão sofrida ainda no decorrer da partida, não refletiu o placar final registrado em Salvador.
Demonstrando frustração com o desfecho do confronto, o atacante ressaltou que o time conseguiu competir em alto nível mesmo em desvantagem numérica durante boa parte do duelo. “A gente fez uma partida excelente. Eu realmente estou muito triste, porque acredito muito que a gente não merecia sair derrotado hoje. Apesar da gente jogar 45 minutos com um jogador a menos, estivemos mais perto de fazer o segundo gol do que de tomar o empate”, finalizou Cabral.

Arthur Cabral jogador do Botafogo durante partida contra o Bahia no estadio Fonte Nova pelo campeonato Brasileiro A 2026. Foto: Marcio Jose/AGIF
Na sequência da entrevista, o centroavante ampliou as críticas ao abordar a discussão sobre gramados no futebol brasileiro. Ao mencionar declarações feitas após uma derrota para o Botafogo no Nilton Santos, ele comparou o debate em torno dos campos sintéticos às condições encontradas em alguns gramados naturais. “E aí entra o campo também, porque o senhor Fernando Diniz foi lá no nosso campo e falou que “é impossível jogar nesse campo”. Aí, a gente vem jogar nesse pasto aqui. É complicado. Como é que você cobra um gramado sintético sendo que você dá essas condições de jogo para um adversário? Não tem como você cobrar um sintético de um clube sendo que a gente sai para jogar fora e pega esse campo, pega o campo lá do São Paulo que estava igual. É complicado, cara!”
Arthur ainda elevou o tom ao defender que a discussão sobre a qualidade dos gramados precisa ser tratada de forma mais ampla e sem interesses particulares. “Eu acho que a gente tem que deixar de ser hipócrita e cobrar o que é certo, e não cobrar o que nos favorece. Eu vejo a maioria das pessoas só cobrarem o que favorece a si mesmo. Isso é errado, jogar num campo desse, num clube gigante como o Bahia, que tem estádio próprio, e não consegue dar um campo bom para uma Série A de Brasileiro. Isso é uma vergonha”. Apesar da revolta com a derrota, o atacante encerrou a entrevista projetando uma recuperação da equipe. “Acredito que a gente não merecia sair derrotado. E esses dois meses agora de treino vão servir muito, porque nosso grupo é muito forte e a gente vai dar a volta por cima.”
Opinião: Arthur Cabral levanta debate necessário
O desabafo de Arthur Cabral expõe uma reclamação frequente no futebol brasileiro. Enquanto o debate sobre gramados sintéticos segue em evidência, a qualidade de muitos campos naturais e a falta de uniformidade da arbitragem continuam gerando questionamentos. São problemas antigos que seguem sem uma solução clara.




