A partida entre Colômbia e Gana, nesta sexta-feira (3), pelos 16 avos de final da Copa do Mundo, coloca frente a frente um treinador que conhece profundamente um dos lados do confronto. Atual comandante da seleção africana, Carlos Queiroz terá pela frente a equipe colombiana, onde trabalhou entre 2019 e 2020, em um duelo que promete ingredientes além da disputa pela classificação.
A passagem do treinador português pela Colômbia começou de forma animadora. Contratado após a Copa do Mundo de 2018 para assumir o lugar de José Pékerman, Queiroz estreou oficialmente com uma vitória por 2 a 0 sobre a Argentina na Copa América de 2019 e conduziu a equipe até as quartas de final da competição.
Queiroz reencontra antigos comandados na Copa do Mundo
A trajetória, porém, perdeu força durante as Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2022. As derrotas por 3 a 0 para o Uruguai e, principalmente, a goleada por 6 a 1 sofrida contra o Equador provocaram forte pressão sobre o trabalho. Poucos dias depois, a Federação Colombiana confirmou a saída do treinador em comum acordo.
Agora, seis anos após deixar o cargo, Queiroz reencontra uma seleção que preservou boa parte da base daquele período. Dos 26 jogadores convocados por Néstor Lorenzo para o Mundial, 13 trabalharam com o português. Entre eles estão James Rodríguez, David Ospina, Davinson Sánchez, Yerry Mina, Jefferson Lerma, Luis Díaz e Jhon Córdoba, atletas que conhecem de perto os métodos do treinador.
Na entrevista coletiva antes do confronto, Queiroz afastou qualquer ideia de revanche pessoal. O comandante afirmou que foi uma honra dirigir a Colômbia, elogiou a evolução da equipe e também negou que tenha enfrentado problemas de relacionamento com James Rodríguez durante sua passagem pelo país.
Mesmo adotando um discurso respeitoso, o treinador deixou claro que pretende usar o conhecimento adquirido nos tempos de Colômbia para tentar explorar pontos vulneráveis do adversário. A expectativa é de que Gana mantenha sua identidade em campo, mas utilize informações sobre o elenco colombiano como uma vantagem estratégica na luta por uma vaga nas oitavas de final.
Opinião: conhecer o adversário não garante classificação
Ter informações sobre antigos comandados pode ajudar na preparação, mas dificilmente decide um confronto de Copa do Mundo. Depois de tantos anos, jogadores evoluíram, treinadores mudaram conceitos e as equipes ganharam novas características. Se Gana depender apenas da memória de Carlos Queiroz para avançar, o plano tende a ser insuficiente. Em mata-mata, pesa muito mais a capacidade de executar o jogo dentro das quatro linhas do que a história construída entre treinador e ex-clube ou ex-seleção.




