Julgamento de Bruno Henrique é adiado e gera debate público
O julgamento de Bruno Henrique, atacante do Flamengo, foi interrompido nesta segunda-feira (10) e remarcado para a próxima quinta-feira, às 15h (de Brasília). O auditor Marco Aurélio Choy pediu vista do processo, adiando a decisão do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). O relator Sérgio Furtado Filho havia votado pela absolvição do jogador no artigo 243-A, que prevê até 12 jogos de suspensão, e pela punição apenas no artigo 191, com multa de R$ 100 mil, sem suspensão.
O caso provocou grande repercussão entre torcedores e especialistas. O jornalista Tiago Leifert analisou o processo e explicou em detalhes por que o atacante do Flamengo, em sua visão, não pode ser punido. Ele traçou um paralelo entre o episódio de Bruno Henrique e o escândalo envolvendo Nino Paraíba, ex-jogador do Avaí, investigado por manipulação de resultados.
Tiago Leifert aponta diferença entre os casos
“Eu vou falar de novo: o Nino Paraíba recebeu dinheiro de fora, dos caras de uma quadrilha. Ele recebeu esse dinheiro para tomar de propósito três cartões que ele não tomaria normalmente, seria do jogo, mas ele foi lá e tomou de propósito três cartões a pedido de uma quadrilha e ganhou dinheiro, certo?! O Bruno Henrique, ele já ia tomar o cartão amarelo, a ordem era do Flamengo; eles decidiram: ‘Esse é o jogo, vai tomar seu terceiro cartão, porque eu não quero que você jogue o próximo’. O Bruno Henrique, ele tomou um cartão de propósito a pedido de uma quadrilha? Não. Então, vocês reparam: eu não estou passando pano, só estou falando o real, à vista da letra da lei.”
“O Nino Paraíba recebe dinheiro para tomar cartões deliberadamente, cartões que ele não tomaria, numa ordem que veio de fora do time dele. O Bruno Henrique, ele já tomaria aquele cartão, era uma ordem do Flamengo, estava dentro do planejamento do clube. Então, ele não prejudica o time dele, mas ele passa uma informação privilegiada para fora. Mas há uma diferença nessas duas atitudes, correto? Ok, tem uma diferença, então.”
“O artigo 243, que é um dos que o Bruno Henrique estava sendo julgado, lá diz que é agir de forma a prejudicar a sua equipe. O Nino Paraíba, ele toma três cartões amarelos de propósito, ele está prejudicando a equipe dele; o treinador, às vezes, tem que tirar ele porque ele estava pendurado. Então, sim, ele está prejudicando o time dele, certo?! O Bruno Henrique, ele prejudicou o Flamengo? O 243, falando da letra da lei – não sou eu, gente, que estou falando, é a letra da lei, cabeça aberta —, ele prejudicou o Flamengo? Não. O Flamengo mandou ele tomar o cartão. Então, o artigo 243, do jeito que está escrito, você não consegue punir o Nino Paraíba e o Bruno Henrique do mesmo jeito. Vocês estão entendendo onde eu estou chegando?”
“No 243-A está escrito: agir de forma contrária à ética para mudar o resultado da partida. O Bruno Henrique, ele mudou o resultado da partida deliberadamente, de forma contrária à ética, ou ele fez o que todo mundo faz, a pedido do clube dele, que é tomar um terceiro cartão? Então, vocês já estão entendendo que, na letra da lei, do jeito que ela está escrita, do jeito que a lei foi redigida, não dava para punir o Bruno Henrique.”
Denúncia e investigação contra o atacante do Flamengo
Bruno Henrique foi denunciado pelo Ministério Público do Distrito Federal em junho, junto com o irmão, Wander Nunes Pinto, e outras sete pessoas. A acusação sustenta que o atleta teria informado ao irmão que receberia um cartão amarelo na partida contra o Santos, em novembro de 2023, no Estádio Mané Garrincha, em Brasília.
O jogador estava pendurado com dois cartões no Brasileirão, e apostas feitas por Wander, pela esposa dele, por uma prima e amigos chamaram atenção pelo volume aplicado em torno do cartão do atacante. As mensagens extraídas do celular de Wander serviram de base para a denúncia formal.
A investigação da Polícia Federal teve início em agosto de 2023. Em novembro, Bruno Henrique foi alvo de mandados de busca e apreensão, e o indiciamento ocorreu em abril deste ano. A defesa do jogador sustenta que ele apenas seguiu uma orientação tática do clube e que não houve qualquer tipo de manipulação de resultado.
