No primeiro tempo pelo Palmeiras, a postura de Abel Ferreira foi claramente pragmática e adaptada às condições do jogo. Com o gramado extremamente encharcado e cheio de poças, a equipe evitou insistir em trocas curtas de passes e buscou um futebol mais direto, com bolas longas e aproveitamento de lances de bola parada.

Essa leitura do treinador foi decisiva para o gol logo aos 5 minutos, justamente em uma cobrança de falta que terminou com Murilo marcando após o rebote. Depois de abrir o placar, o time não tentou acelerar o jogo de forma arriscada; ao contrário, passou a administrar o ritmo e priorizar a segurança defensiva, ciente de que o empate já mantinha a vantagem no agregado.

Após o empate do Novorizontino aos 24 minutos, ficou ainda mais evidente que Abel optou por uma estratégia de controle em vez de exposição. O Palmeiras recuou linhas, aceitou ter menos posse de bola (43%) e passou a proteger a área, mesmo sob pressão do adversário, que finalizou mais na etapa inicial.

Embora tenha sofrido com a intensidade do time da casa e com os erros provocados pelo gramado pesado, a equipe manteve organização e calma até o intervalo. Essa postura conservadora, muitas vezes interpretada como “segurar o jogo”, foi crucial, pois evitou riscos em um campo traiçoeiro e manteve o cenário favorável ao Palmeiras na decisão.

No segundo tempo, o Palmeiras manteve a linha estratégica adotada por Abel Ferreira, explorando novamente o jogo direto e os erros provocados pelo gramado pesado. Mesmo com o Novorizontino tendo mais posse de bola, o Verdão soube escolher bem os momentos de atacar.

Vitor Roque concretiza título do Palmeiras

Aos 17 minutos, a estratégia voltou a funcionar. Carlos Miguel lançou para frente, Flaco López desviou de cabeça e o goleiro Jordi saiu mal do gol. Atento ao rebote, Vitor Roque apareceu livre para empurrar a bola para as redes e ampliar o placar, colocando o Palmeiras em posição ainda mais confortável na decisão.

Após o segundo gol, o time de Abel adotou uma postura ainda mais cautelosa, fechando praticamente todos os jogadores no campo de defesa e controlando o ritmo da partida. As substituições reforçaram essa ideia de proteção e equilíbrio, enquanto o Novorizontino tentava pressionar com bolas alçadas na área. Mesmo assim, a defesa palmeirense conseguiu neutralizar bem as investidas do adversário. A leitura de jogo do treinador português foi decisiva, pois o Palmeiras soube sofrer quando necessário e administrou a vantagem com maturidade.

Opinião do Antenados do Futebol

A final mostrou mais uma vez por que Abel Ferreira se tornou um dos treinadores mais decisivos do futebol brasileiro. Em um jogo com gramado pesado e poucas condições para um futebol técnico, o treinador português fez uma leitura muito clara da partida e optou por um plano pragmático, priorizando bolas longas, organização defensiva e controle emocional da equipe.

Mesmo quando o Novorizontino cresceu no jogo e pressionou, o Palmeiras não se desorganizou, manteve o foco no resultado e soube aproveitar o erro do adversário para ampliar o placar. No fim, ficou evidente que a estratégia de Abel foi determinante para o título, mostrando novamente a capacidade do técnico de adaptar seu time às circunstâncias do jogo e decidir partidas grandes com inteligência tática.