Internacional planeja 2026 com reformulação profunda no futebol

O Internacional entra no último ano da gestão de Alessandro Barcellos com mudanças estruturais no departamento de futebol. Após garantir a permanência na Série A apenas na rodada final do Brasileirão de 2025, a direção colorada decidiu por uma reformulação ampla, que passa por gestão, comando técnico e perfil de contratações. Em entrevista ao jornal Zero Hora, o presidente fez uma análise detalhada da temporada e projetou o próximo ciclo do clube.

Avaliação do elenco e decisões ao longo do ano

Na visão do presidente, o desempenho abaixo do esperado não foi causado por um único fator. Questões físicas, técnicas e principalmente emocionais pesaram negativamente no rendimento do grupo. A manutenção de boa parte do elenco, que vinha de resultados positivos em 2024, não se confirmou como solução a longo prazo.

“Foi um ano distinto em dois semestres. O primeiro semestre positivo, onde a gente conseguiu cumprir com os objetivos que eram o título gaúcho e a classificação na Libertadores em primeiro lugar do grupo. Mas um segundo semestre muito ruim, onde nós tivemos uma queda de rendimento e, consequentemente, chegando na última rodada com a possibilidade de rebaixamento. A avaliação no geral sempre, pela fotografia do final do ano, tende a ser negativa do ponto de vista esportivo, o que nos colocou com a missão de reformular algumas questões no futebol, a começar pela parte gestora, onde a gente fez uma transformação e uma mudança já na parte executiva, na diretoria esportiva e também no comando técnico da equipe.”

Barcellos também detalhou a opção por não realizar grandes investimentos no meio do ano, priorizando o controle financeiro e a redução do endividamento, com exceção da contratação de Alan Rodríguez.

Jogadores do Internacional comemoram vitoria ao final da partida contra o Bragantino no estadio Beira-Rio pelo campeonato Brasileiro A 2025. Foto: Luiz Erbes/AGIF

Nova estrutura e mudança de rumos no Internacional

A reformulação passa pela chegada de nomes com histórico recente de sucesso no futebol brasileiro e internacional. A diretoria aposta em um modelo mais integrado, com foco em processo, gestão e desempenho esportivo sustentável.

“Toda vez que você não tem resultados, há necessidade de fazer mudanças. A chegada do Fabinho (diretor executivo), a chegada do Abel como nosso diretor técnico e não como treinador, e a chegada do (Paulo) Pezzolano, com um trabalho característico, um treinador que estava no futebol inglês até pouco tempo atrás, um treinador que foi do futebol europeu, um treinador muito atualizado e com trabalhos importantes aqui no Brasil.”

O dirigente reforçou que as mudanças não se limitam ao campo e assumiu erros coletivos da gestão, sobretudo em decisões de manutenção de elenco e contenção de custos em um cenário de forte competitividade no futebol nacional.

Mercado, finanças e expectativa por um novo ciclo

Mesmo reconhecendo as dificuldades econômicas, o clube acredita que a experiência dos novos gestores pode abrir caminhos mais criativos no mercado de transferências.

“O Fabinho tem um conhecimento muito grande de mercado, traz uma bagagem muito grande na relação com o mercado e isso com certeza vai ser muito importante para que a gente possa estabelecer condições de negócios com mais criatividade. Vai nos ajudar muito nesse momento de maior dificuldade econômica.”

Opinião da redação do Antenados no Futebol

A leitura do cenário feita por Alessandro Barcellos é coerente com o que foi visto em campo. O Inter oscilou demais em 2025 e só reagiu quando o risco se tornou extremo. A reformulação é necessária, mas o desafio será equilibrar discurso, gestão e resultado. A nova estrutura precisa responder rapidamente, pois o clube não pode mais conviver com temporadas de sobrevivência.