A Argentina fez o dever de casa e garantiu a vitória por 3 a 0 diante da Argélia em sua estreia na Copa do Mundo, porém a partida ganhou um capítulo de grande repercussão para além do resultado. Um lance envolvendo Lionel Messi aos 30 minutos do primeiro tempo colocou a arbitragem no centro de uma forte polêmica e gerou opiniões divergentes entre ex-árbitros brasileiros.

Lance envolvendo Messi gera reclamação da Argélia

No lance que gerou o debate, Messi acertou um pisão na panturrilha de Mandi durante a disputa pela bola. Os jogadores argelinos cercaram o árbitro polonês Szymon Marciniak pedindo a expulsão imediata do astro argentino, mas o lance foi interpretado apenas como falta, sem a aplicação de qualquer cartão.

 Os capitães Lionel Messi, camisa 10 da Argentina, e Aissa Mandi, camisa 2 da Argélia, participam do sorteio da moeda antes da partida do Grupo J da Copa do Mundo da FIFA 2026 entre Argentina e Argélia, no Estádio de Kansas City, em 16 de junho de 2026, em Kansas City, Missouri. (Foto de Francois Nel/Getty Images)


A decisão rapidamente virou assunto entre comentaristas e especialistas em arbitragem. Como o lance aconteceu em um dos jogos mais aguardados da rodada, a repercussão ultrapassou o campo e tomou conta das análises pós-jogo.

Especialistas divergem sobre decisão da arbitragem


A comentarista Renata Ruel, da ESPN, avaliou que a jogada preenchia os critérios para cartão vermelho. “Messi deveria ter recebido cartão vermelho. Ele atinge com contato pleno a panturrilha do adversário com a trava da chuteira e dá até para perceber um pequeno entorse no pé do jogador da Argélia. Messi coloca em risco a integridade física do adversário e isso caracteriza ‘jogo brusco grave’ e expulsão. Já vimos muitos jogadores serem expulsos assim”, analisou antes de completar: “Dá para dizer que o árbitro e o VAR pipocaram sim”.

Messi deveria ter sido expulso?

Messi deveria ter sido expulso?

Sim
Não
Não, mas deveria ter recebido cartão amarelo

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Apesar disso, a opinião não foi unânime entre os analistas brasileiros. Carlos Eugênio Simon apresentou uma leitura diferente e considerou que a infração deveria resultar apenas em cartão amarelo. Na avaliação do ex-árbitro, houve imprudência por parte de Messi, mas sem uso de força excessiva que justificasse uma expulsão direta.


“O lance é para cartão amarelo, por não levar em conta a integridade física do adversário. Não é cartão vermelho porque não há uso de força excessiva. O árbitro apenas marcou a falta. O árbitro errou ao não apresentar o cartão amarelo para Messi”, afirmou à ESPN.


Outro nome conhecido da arbitragem brasileira, PC Oliveira, comentarista do Grupo Globo, também discordou da tese de cartão vermelho. Para ele, a entrada foi temerária e merecia advertência com cartão amarelo, mas não atingiu o nível de violência necessário para uma expulsão.


“A entrada foi para cartão amarelo. Temerária, que de acordo com a regra é quando o jogador realiza uma ação sem levar em conta a consequência ou o risco para o adversário. Intensidade média. Não houve força excessiva para cartão vermelho”, disse PC.

Messi desequilibrou a partida e foi decisivo para a Argentina mais uma vez

A discussão ganhou ainda mais força porque Messi teve participação decisiva na partida. Além de marcar um golaço, o camisa 10 também chegou a balançar as redes em outro momento, mas teve o gol anulado. Assim, o argentino acabou sendo protagonista tanto pelos lances técnicos quanto pela polêmica envolvendo a arbitragem. Com os três pontos conquistados, a Argentina começou com o pé direito a sua caminhada na Copa do Mundo.