Coaf aponta movimentações atípicas na conta do presidente tricolor
Documentos obtidos pelo UOL e revelados em reportagem exclusiva assinada por Pedro Lopes e Danilo Lavieri colocaram o presidente do São Paulo, Julio Casares, sob investigação da Polícia Civil. Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) indicam que o dirigente recebeu R$ 1,5 milhão em depósitos feitos em espécie diretamente em sua conta pessoal entre janeiro de 2023 e maio de 2025.
Segundo a apuração, o volume em dinheiro vivo chamou atenção por representar a principal fonte de renda de Casares no período analisado, superando seus ganhos oficiais no clube. Os registros apontam que os depósitos em espécie corresponderam a 47% de toda a movimentação financeira do dirigente no intervalo investigado.
Fracionamento de valores acende alerta sobre prática conhecida como “smurfing”
O Coaf destacou não apenas o valor total, mas a forma como os depósitos foram realizados. Conforme detalhado pelo UOL, os recursos foram inseridos na conta em operações fracionadas, estratégia utilizada para evitar notificações automáticas ao sistema de controle financeiro.
A reportagem descreve o padrão identificado nos relatórios. “Os depósitos em dinheiro foram feitos em valores pequenos, de forma fracionada. Isso caracteriza uma prática chamada pelo Coaf de ‘smurfing’, que é uma tentativa de burlar os mecanismos de controle. Há registros de 12 depósitos em um único dia, e operações no valor de R$ 49 mil, o limite para que o Coaf seja notificado automaticamente é de R$ 50 mil.”
A discrepância entre salário e movimentação também foi destacada nos documentos. Enquanto os vencimentos oficiais somaram R$ 617 mil, o dinheiro em espécie representou quase metade da renda atribuída ao presidente são-paulino no período.
Saques do clube, justificativa apresentada e investigação em curso
De acordo com os documentos citados na reportagem, ao ser questionado pelo banco, Julio Casares justificou os valores como “recursos recebidos em espécie do SPFC referente bonificação dos campeonatos”. Paralelamente, a Polícia Civil passou a analisar saques realizados diretamente das contas do São Paulo Futebol Clube.
Entre 2021 e 2025, o clube retirou R$ 11 milhões em espécie. Embora o relatório do Coaf não estabeleça, até o momento, ligação direta entre esses saques e os depósitos na conta pessoal de Casares, a coincidência nas movimentações em dinheiro passou a integrar o escopo da apuração.

SP – SAO PAULO – 20/11/2025 – BRASILEIRO A 2025, CORINTHIANS X SAO PAULO – Osmar Stabile presidente do Corinthians e Julio Casares presidente do Sao Paulo durante partida no estadio Arena Corinthians pelo campeonato Brasileiro A 2025. Foto: Ettore Chiereguini/AGIF
Os documentos também apontam o uso da conta do presidente para custear despesas de terceiros ligados à gestão. “Os documentos ainda mostram que a conta de Casares era usada, de forma sistemática, para custear despesas de sua ex-mulher, e diretora licenciada do São Paulo, Mara Casares. Foram pagos 104 boletos bancários emitidos no nome de Mara, que é investigada por se beneficiar de um suposto esquema de venda de camarote clandestino no clube.”, afirma a reportagem.

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Em nota ao UOL, o São Paulo informou que irá apresentar a contabilidade completa dos R$ 11 milhões sacados e sustenta que esses valores não têm relação com as movimentações pessoais do presidente. A Polícia Civil confirmou a existência do inquérito, que segue sob sigilo judicial.




