A SAF do Botafogo foi oficialmente colocada à venda em meio à crise financeira que envolve a Eagle Football Holdings, empresa ligada ao empresário John Textor. A decisão partiu da consultoria britânica Cork Gully, nomeada administradora judicial após acionamento de credores na Justiça inglesa. A informação inicialmente divulgada pelo portal O Globo.
A venda foi divulgada em um anúncio publicado no jornal Financial Times, que detalha a oferta dos principais ativos da holding. No comunicado, a Cork Gully afirma que busca interessados nas participações majoritárias, incluindo a SAF do Botafogo.
O texto destaca diretamente o clube brasileiro no portfólio: “a Cork Gully coloca à venda os principais ativos da Empresa, sendo as suas participações maioritárias em […] SAF Botafogo, um dos clubes de futebol mais históricos do Brasil”. O anúncio também inclui outros ativos do grupo.
Crise da SAF do Botafogo revela risco no modelo de gestão
Atitude da Cork Gully amplia crise no Botafogo?
Atitude da Cork Gully amplia crise no Botafogo?
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O movimento é consequência direta da crise financeira da Eagle Football, que entrou em administração judicial após problemas com credores. A origem do conflito remonta a um empréstimo milionário obtido por John Textor junto à gestora Ares Management.
Com dificuldades no pagamento e divergências sobre gestão, os credores acionaram cláusulas contratuais e retiraram o controle do empresário. Textor chegou a classificar a ação como “predatória”, enquanto os credores apontaram má gestão e inadimplência.
Botafogo vive incerteza com possível novo dono

RJ – RIO DE JANEIRO – 29/01/2026 – BRASILEIRO A 2026, BOTAFOGO X CRUZEIRO – John Textor dono da saf do Botafogo comemora gol com Andre Silva vice-presidente do Botafogo associativo durante partida contra o Cruzeiro no estadio Engenhao pelo campeonato Brasileiro A 2026. Foto: Jorge Rodrigues/AGIF
Com a Cork Gully no comando, o objetivo agora é vender os ativos para quitar dívidas, o que inclui diretamente a SAF do Botafogo. Apesar disso, o clube segue operando normalmente no dia a dia, ainda que sob forte incerteza nos bastidores.
Internamente, há o entendimento de que a situação financeira da holding impacta o futuro do futebol alvinegro, principalmente pela possibilidade de entrada de um novo investidor. Ao mesmo tempo, há divergências sobre a permanência de Textor no projeto.
A SAF ainda avalia que o maior problema está na relação com os credores, especialmente a Ares, apontada como responsável por limitar financeiramente o clube. Enquanto isso, o cenário segue indefinido, com o Botafogo no centro de uma disputa que agora ganha dimensão internacional.
Crise da Eagle Football expõe risco estrutural no Botafogo
A venda da SAF do Botafogo escancara um ponto crítico do modelo adotado: a dependência quase total de um único investidor. Quando a estrutura financeira da holding entra em colapso, o impacto no clube deixa de ser apenas administrativo e passa a ameaçar o planejamento esportivo. O caso expõe um alerta claro para o futebol brasileiro sobre os riscos de centralização extrema.
Mais do que uma simples troca de dono, o que está em jogo é a estabilidade de um projeto que vinha sendo reconstruído. A chegada de um novo investidor pode representar um recomeço, mas também abre espaço para ruptura de planejamento, mudança de filosofia e até retrocessos. Em um cenário assim, a pergunta que fica é inevitável: o Botafogo está preparado para mais uma mudança brusca de rumo?




