Didier Deschamps encerrou sua longa trajetória à frente da seleção francesa neste sábado, logo após a derrota por 6 a 4 para a Inglaterra na disputa pelo terceiro lugar da Copa do Mundo. Em sua última entrevista como treinador da França, o comandante demonstrou emoção ao fazer um balanço dos 14 anos no cargo e reconheceu a responsabilidade pelo desempenho da equipe.
O técnico admitiu que a atuação no primeiro tempo comprometeu qualquer chance de terminar o torneio no pódio. Apesar da reação francesa na etapa final, Deschamps afirmou que o início da partida foi decisivo para o resultado e assumiu a culpa pela estratégia adotada.
“É uma derrota, mas estávamos perdendo por 4 a 0. Tivemos um desempenho desastroso no primeiro tempo. Reagimos explorando nossos pontos fortes. Tivemos duas chances de empatar em 4 a 4, mas precisávamos levar mais jogadores ao ataque. Esse é o tipo de futebol de que somos capazes, mas não o praticamos. A culpa é minha; claramente não fiz o que era necessário no primeiro tempo. No fim, a atuação acabou sendo digna, embora a derrota doa. Teria sido melhor terminar em terceiro.”
Deschamps se despede com orgulho da trajetória
Mesmo com o encerramento do ciclo sem medalha, o treinador preferiu destacar o legado construído ao longo de sua passagem pela seleção. Deschamps lembrou das campanhas marcantes, elogiou a qualidade do atual elenco e afirmou que deixa a França confiante para os próximos anos.
“Começamos com grandes ambições. Conseguimos alcançar coisas bastante positivas. Não rendemos o esperado contra a Espanha (na semifinal); eles jogaram muito bem contra nós. Mas nem tudo foi perdido. Há aqui um elenco com verdadeira qualidade futebolística. Tínhamos a matéria-prima para obter resultados. Em nível pessoal, foi uma jornada maravilhosa.”
Antes de deixar o comando da seleção, o treinador também fez questão de agradecer o apoio recebido da torcida francesa durante todo o ciclo. Campeão mundial em 2018 como técnico e em 1998 como jogador, ele reforçou o orgulho de ter representado o país por tantos anos.
Um ciclo histórico chega ao fim
“Há uma decepção do ponto de vista esportivo. Mas tivemos a oportunidade de criar momentos emocionantes para dezenas de milhões de franceses. É a Copa do Mundo; não há nada melhor. Não há nada melhor do que vestir a camisa da seleção francesa.” O placar diante da Inglaterra não apaga uma trajetória que colocou Didier Deschamps entre os maiores nomes da história do futebol francês. A despedida foi amarga, mas o legado construído em 14 anos de trabalho dificilmente será superado em pouco tempo.




