No primeiro tempo, a estratégia de Abel Ferreira no Palmeiras ficou bem clara. Entregar a posse ao São Paulo e atacar com velocidade e objetividade nos espaços. Dessa forma, a equipe não teve problemas em ver o adversário com mais bola, porque o plano era exatamente esse: atrair o time do Roger Machado. O gol do Arias logo no início é praticamente um resumo da ideia: recuperação, condução em velocidade, ataque direto e finalização antes da recomposição defensiva.
Além disso, ofensivamente o Verdão foi muito mais perigoso mesmo com menos posse. As jogadas sempre buscavam profundidade, principalmente com Allan, Arias e as subidas pelos lados, enquanto o Flaco López funcionava como referência para segurar a bola e abrir espaço.
O time criou as melhores chances no primeiro tempo. Portanto, dá pra dizer que o Abel venceu a etapa inicial no campo estratégico: controlou o ritmo sem a bola, neutralizou o volume do São Paulo e foi muito mais eficiente nas poucas vezes que atacou.
Abel Ferreira expulso novamente no Palmeiras
No segundo tempo, o Abel Ferreira manteve a essência do plano, mas fez um ajuste claro: baixou ainda mais o bloco e passou a priorizar controle defensivo total, aceitando a pressão do São Paulo. O time praticamente abdicou de disputar posse e se organizou em duas linhas compactas, protegendo a área e forçando o adversário a insistir em cruzamentos.
E funcionou, mesmo com volume e sequência de escanteios, o São Paulo pouco conseguiu produzir chances reais, muito por conta da leitura defensiva do Palmeiras, com Gómez, Piquerez e o próprio Carlos Miguel.
Além disso, as mudanças do Abel reforçaram essa ideia de gestão do resultado. As entradas de Sosa e Vitor Roque deram mais fôlego para transições longas e ajudaram a segurar a bola no ataque, mesmo sem criar tanto perigo. A expulsão do treinador mostra o nível de tensão e competitividade, mas dentro de campo o time seguiu fiel ao plano: sofrer sem se desorganizar. No fim, foi uma atuação madura.

Arboleda jogador do Sao Paulo durante partida contra o Palmeiras no estadio Morumbi pelo campeonato Brasileiro A 2026. Foto: Marcello Zambrana/AGIF
Opinião do Antenados do Futebol
Por fim, a estratégia do Abel Ferreira foi muito eficiente e inteligente para o contexto do jogo. Ele explorou os contra-ataques no primeiro tempo para construir a vantagem e controlou o clássico com uma defesa organizada e disciplinada, mesmo abrindo mão da posse. Apesar de arriscado por chamar pressão, o plano funcionou porque o Palmeiras soube sofrer sem se desorganizar, mostrando maturidade e leitura de jogo.





