O Vasco protocolou nesta quarta-feira a defesa oficial do técnico Renato Gaúcho no processo disciplinar aberto pela Conmebol. A informação foi divulgada pelo ge, que apontou o cumprimento integral do prazo estabelecido pela entidade sul-americana.

A apuração foi instaurada após a decisão do treinador de não acompanhar a delegação no confronto contra o Barracas Central, fora de casa, pela estreia da Copa Sul-Americana. A ausência motivou a abertura de um protocolo para análise de conduta.

Internamente, o Vasco sustenta que a escolha teve caráter estritamente técnico. Renato Gaúcho permaneceu no Rio de Janeiro ao lado da base considerada titular para evitar a perda de dois dias de treinamento, reforçando que o planejamento esportivo prioriza o Campeonato Brasileiro.

A Conmebol deve punir Renato Gaúcho por não viajar com o Vasco na estreia da Sul-Americana?

A Conmebol deve punir Renato Gaúcho por não viajar com o Vasco na estreia da Sul-Americana?

Sim, a regra precisa ser cumprida
Não, foi uma decisão estratégica do clube

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Conmebol cita princípios de conduta em procedimento disciplinar

O enquadramento utilizado pela entidade tem como base o artigo 11 do Código Disciplinar, que trata de princípios gerais de conduta. O regulamento prevê sanções em casos de comportamentos considerados incompatíveis com o ambiente do futebol organizado ou que possam comprometer a imagem institucional da Conmebol.

O tema ganhou repercussão após a derrota do Vasco para o Audax Italiano, em partida marcada por decisões polêmicas da arbitragem. Após o jogo, Renato Gaúcho comentou o episódio e ironizou a atuação da entidade, sem atribuir o resultado exclusivamente aos erros de arbitragem.

Renato Gaucho tecnico do Vasco durante partida contra o Audax Italiano no estadio Sao Januario pelo campeonato Copa Sul-Americana 2026. Foto: Jorge Rodrigues/AGIF

“Eu sempre falei que a prioridade do clube é o Brasileiro. É a prioridade do clube. Eu não viajei, me criticaram, e a Conmebol gritou lá… Será que a Conmebol vai gritar com o árbitro de hoje? Ou vão gritar comigo? A Conmebol tem que estar preocupada com quem vai apitar os jogos. É essa a preocupação da Conmebol (processo)? Mas ninguém está dando desculpa pela derrota. Sabíamos que ia ser difícil, saímos na frente, perdemos um jogador no primeiro tempo. É muito difícil jogar 11 contra 11, e com um a menos então… Infelizmente o adversário cresceu e no final do jogo infelizmente cometemos um pênalti infantil que fez com que a gente perdesse a partida”.

Opinião: quando o planejamento vira alvo institucional

O episódio evidencia um conflito recorrente entre planejamento esportivo e interpretação disciplinar. Em um calendário cada vez mais congestionado, decisões voltadas à preservação física e ao rendimento interno tornaram-se comuns, mas ainda encontram resistência das entidades organizadoras.

Ao levar o caso adiante, a Conmebol abre um precedente sensível. Punir escolhas estratégicas pode deslocar o debate do campo técnico para o institucional, ampliando tensões e reforçando críticas antigas sobre a falta de alinhamento entre regulamento e realidade do futebol sul-americano.