Mano Menezes ex-Grêmio, começou oficialmente um novo capítulo da carreira ao assumir a seleção do Peru com foco total no planejamento para a Copa do Mundo de 2030. Em entrevista concedida ao jornal Zero Hora, o treinador comentou os primeiros passos no comando da equipe após amistosos diante de Senegal e Honduras.
O treinador explicou que a proposta apresentada pela federação peruana esteve ligada diretamente a um trabalho de longo prazo. Segundo Mano, o objetivo da seleção é construir uma nova base competitiva desde já, repetindo um modelo semelhante ao período em que comandou a Seleção Brasileira no início da década passada.
“É um desafio bastante grande. O convite teve origem como objetivo de construir um novo trabalho. Entenderam que meu nome atendia a esse perfil de reconstrução, assim como foi na Seleção Brasileira, entre 2010 e 2012. O objetivo era iniciar antecipadamente um projeto visando a Copa de 2030”, iniciou Mano.
Mano Menezes está certo sobre a instabilidade no futebol gaúcho?
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Noriega ganha respaldo de Mano no Peru
Entre os jogadores observados de perto pelo treinador está Noriega, volante do Grêmio e um dos nomes de confiança da comissão técnica. A relação entre ambos já vinha desde os tempos de trabalho no clube gaúcho durante a temporada de 2025.
Ao comentar as características do meio-campista, Mano revelou que enxerga versatilidade no atleta, inclusive para atuar em funções defensivas mais específicas. “Nós queríamos levar um volante de mais contenção para fazer a primeira função. Só que precisamos adaptá-lo. Acho que ele tem capacidade para fazer bem as duas funções”, afirmou Mano, falando da qualidade de Noriega também na zaga.
Além de abordar o momento da seleção peruana, o treinador aproveitou a entrevista ao Zero Hora para fazer uma análise crítica sobre o ambiente do futebol no Rio Grande do Sul. Para Mano, a falta de continuidade nos projetos acaba prejudicando o crescimento das equipes locais.
“Eu penso que o ambiente que se estabeleceu no futebol gaúcho é muito instável. A gente é crítico demais e troca muito no Rio Grande do Sul. Há muito tempo se recomeça. Toda vez que você recomeça, perde três, quatro meses para estruturar um trabalho”, dissse. “A gente está andando em volta em círculos há bastante tempo. Pra mim, isso é o principal motivo pelo qual a gente está demorando para retomar o lugar que o futebol gaúcho sempre ocupou no cenário nacional. Mesmo com menos poder financeiro, conseguíamos bater de frente com times como Flamengo, São Paulo, Corinthians e Palmeiras”, completou.
Opinião: Mano toca em um problema antigo do futebol gaúcho
A fala de Mano Menezes escancara uma discussão recorrente no futebol do Rio Grande do Sul. A pressão imediata por resultados faz com que projetos sejam interrompidos rapidamente, criando um cenário de instabilidade constante tanto em Grêmio quanto em Internacional.
O reflexo aparece dentro de campo e também na formação de elencos. Enquanto outras equipes conseguem manter modelos de trabalho mais duradouros, os clubes gaúchos seguem alternando ideias e reconstruções em períodos muito curtos, dificultando qualquer consolidação esportiva no cenário nacional.
