O São Paulo vive um cenário curioso: mesmo com vitória por 1 a 0 sobre o Juventude pela Copa do Brasil, o técnico Roger Machado deixou o Morumbi sob vaias. A reação da torcida, em meio a um resultado positivo, expôs o clima de desconfiança que cerca o trabalho do treinador.


Em entrevista coletiva, Roger não escondeu a frustração com o ambiente. “Sempre a gente se questiona, obviamente, mas o que eu diria e daria como exemplo para as minhas duas filhas, de nesse momento de maior dificuldade, de pressão externa, que em alguns momentos me parece um pouco injusto, se eu desistisse? Eu não vou desistir”, afirmou.


Mesmo pressionado, o comandante deixou claro que pretende seguir no cargo enquanto tiver respaldo interno. “Sigo trabalhando firme e forte até quando o presidente e o Rui entenderem que seja positivo. É evidente que esse ambiente externo e de pressão ao treinador acaba por contaminar o jogo”, destacou.

Roger Machado está sendo injustiçado no São Paulo?

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Roger ainda revelou apoio do elenco após a partida. “Todos os jogadores ao final do jogo vieram me dar um abraço e pedir que eu seguisse firme. Vamos seguir e colher coisas boas aqui”, completou, reforçando a confiança dentro do grupo.

SP – SAO PAULO – 21/04/2026 – COPA DO BRASIL 2026, SAO PAULO X JUVENTUDE – Roger Machado tecnico do Sao Paulo durante partida contra o Juventude no estadio Morumbi pelo campeonato Copa Do Brasil 2026. Foto: Marcello Zambrana/AGIF

Rejeição intriga o treinador

Um dos pontos que mais chamou atenção foi a dificuldade do treinador em entender a origem das críticas. “Essa resposta eu não consigo te dar, né. Eu gostaria de ouvir do torcedor porque essa manifestação com tanto peso, ela não veio agora por resultado”, disse.


Ele também demonstrou incômodo com o contexto mais amplo. “Hoje é um jogo que o sentimento que tenho é de muita tristeza, porque eu gostaria de entender. O sentimento é que estou sendo julgado mais do que pelos resultados”, afirmou, citando que o ambiente externo tem impacto direto no desempenho da equipe.

Desempenho não acompanha rejeição

Apesar da pressão, os números do São Paulo indicam competitividade. O clube segue bem posicionado no Brasileirão e lidera seu grupo na Sul-Americana, além de avançar na Copa do Brasil. Ainda assim, o treinador reconhece que o clima pesa.


“Eu sinceramente nunca vi uma rejeição tão grande a um técnico”, concluiu Roger, evidenciando o desconforto com a situação mesmo em meio a resultados que, em tese, sustentariam maior estabilidade.

Opinião: Cenário no São Paulo é atípico

O cenário é atípico. No futebol brasileiro, vitórias costumam “comprar” tempo, mas a desconexão entre Roger e a torcida parece ser estética ou de identidade, não de números. A sustentação de “Rui” (Rui Costa) e do presidente é o último escudo antes da queda inevitável se o clima no Morumbi não mudar.