O Palmeiras vai entrar com uma ação contra o Fortaleza na Câmara Nacional de Resoluções de Disputa (CNRD), órgão da CBF responsável por mediar conflitos entre clubes. De acordo com informações da ESPN, a medida ocorre após o Verdão alegar que não recebeu integralmente os valores referentes à venda do zagueiro Gustavo Mancha ao Olympiacos, da Grécia.
A transferência foi fechada em agosto de 2025 por 4,5 milhões de euros (R$ 28,3 milhões na cotação da época). Como clube formador, o Palmeiras manteve direito a 30% do montante quando negociou o defensor com o Fortaleza, em março de 2024. O Fortaleza ainda não se manifestou sobre o caso.
Valores, prazos e notificações
No acordo firmado após a venda ao Olympiacos, o Fortaleza deveria repassar ao Palmeiras as duas primeiras parcelas ainda em setembro. Segundo apuração, os pagamentos somaram 825 mil euros (R$ 5,092 milhões na cotação atual) e foram efetuados com um mês de atraso.
Em novembro, o clube cearense recebeu a terceira parcela, no valor de 750 mil euros (R$ 4,629 milhões na cotação atual), e deveria ter transferido 225 mil euros (R$ 1,389 milhão na cotação atual) ao Palmeiras. De acordo com pessoas ouvidas pela reportagem, esse valor ainda não foi pago.
Ainda de acordo com a ESPN, o Verdão notificou oficialmente o Fortaleza em 2 de dezembro do ano passado, ainda na gestão de Marcelo Paz como CEO do clube nordestino, concedendo prazo de 10 dias para quitação. Posteriormente, ampliou o prazo por mais 30 dias e chegou a enviar proposta de parcelamento, mas, segundo a apuração, não houve resposta.
Próximas parcelas e outros valores envolvidos
Diante do impasse, o Palmeiras decidiu recorrer à CNRD para cobrar a dívida. Além dos 225 mil euros em aberto, o clube paulista ainda tem mais 300 mil euros (R$ 1,851 milhão) a receber pela transferência de Gustavo Mancha. A próxima parcela, de 150 mil euros (R$ 926,5 mil), vence em 15 de março.
Há ainda outra operação entre as partes: o Fortaleza terá de repassar 50% da venda do atacante Breno Lopes ao Coritiba. O jogador foi negociado por R$ 15 milhões, o que representa R$ 7,5 milhões ao Palmeiras.
Opinião da Redação Antenados no Futebol
O caso envolvendo Gustavo Mancha expõe mais uma vez a fragilidade dos mecanismos de proteção contratual no futebol brasileiro. Quando uma negociação chega à CNRD, o embate deixa de ser esportivo e passa a ser estratégico e jurídico. O desfecho pode não apenas impactar o caixa do clube envolvido, mas também servir como precedente para futuras disputas envolvendo percentuais econômicos e cláusulas de transferência internacional. A decisão final poderá redefinir o equilíbrio de forças entre clubes formadores e investidores, o futebol brasileiro está preparado para esse novo cenário regulatório?
