Filipe Luís fez o Flamengo ter a bola e empurrar o jogo para o campo ofensivo, com laterais projetados e muitos jogadores por dentro, mas o time controlou mais o território do que os riscos. Criou chances, porém a estrutura de proteção pós-perda falhou: Pulgar precisou parar contra-ataques com faltas, os zagueiros ficaram expostos em campo aberto e o time sofreu quando a primeira pressão era quebrada. Faltou compactação entre meio e defesa e melhor ocupação da entrada da área.

Dorival Júnior foi mais pragmático no Corinthians: bloco médio, linhas curtas por dentro e transições verticais buscando Yuri Alberto e Memphis. Mesmo finalizando menos, o time paulista gerou as situações mais claras e foi eficiente na bola parada para abrir o placar com Gabriel Paulista. No recorte do primeiro tempo, Dorival superou Filipe Luís na gestão dos espaços e na leitura de onde doía o jogo.

Paquetá perde gol inacreditável

O segundo tempo confirmou o roteiro: o Flamengo voltou com ainda mais volume, empilhou cruzamentos, bolas paradas e presença na área, mas seguiu desorganizado na proteção das transições.

A entrada de Paquetá, Bruno Henrique e Ayrton Lucas deixou o time mais agressivo, porém mais exposto, os laterais muito altos, meio aberto e zagueiros defendendo no mano a mano. As chances apareceram (bola no travessão de Pulgar, finalização incrível perdida por Paquetá), mas eram ataques baseados em insistência, não em controle estrutural.

O Corinthians de Dorival Júnior leu perfeitamente esse cenário: baixou o bloco, fechou a área e esperou o erro. As trocas deixaram o time mais físico e preparado para correr, e os contra-ataques ficaram cada vez mais claros, bola na trave de Yuri, impedimento por detalhe e, por fim, o gol decisivo de Yuri Alberto explorando exatamente o espaço nas costas da defesa. Foi a vitória do time que soube sofrer e atacar o momento certo contra um adversário que atacou muito, mas se protegeu pouco.

Opinião do Antenados do Futebol

O jogo mostrou que ideia boa sem equilíbrio vira armadilha. O trabalho de Filipe Luís é moderno, ofensivo e vai dar resultado ao longo da temporada, mas final não perdoa time que se parte. Nesse sentido, o Fla quis ganhar jogando bonito e dominante, só que não soube “matar” o jogo.

Já Dorival Júnior fez o oposto: não tentou provar nada, só ganhar. O Corinthians jogou como final se joga. Pode não encantar, mas é o tipo de time que cresce em jogo grande.