O Flamengo venceu o Madureira por 3 a 0, pelo Campeonato Carioca, mas a atuação não afastou as críticas da torcida. Após a partida, o técnico Filipe Luís assumiu responsabilidade pelo rendimento abaixo do esperado da equipe na temporada.
Em coletiva, o treinador foi direto ao falar sobre o momento. “Quando você vê o Flamengo não performando com o elenco que tem é culpa do treinador, seja quem estiver aqui. Não tenho dúvida que tenha alguém quebrando mais a cabeça que eu para estarmos naquele nível do ano passado. Acho que tem a questão mental e de ansiedade, o medo de errar e todas as peças vão caindo e pioram a performance, isso acontece. A cobrança foi muito grande, não estavam acostumados com momentos de crise, mas é minha responsabilidade fazer eles voltarem a performar”, declarou.
O desempenho em 2026 reforça o cenário de cobrança. Em 13 jogos disputados na temporada, o Flamengo soma cinco vitórias, dois empates e seis derrotas, números que contrastam diretamente com o momento vivido em 2025, quando o clube apresentou maior regularidade e desempenho mais consistente.
Pressão no Maracanã e explicações do treinador
Filipe Luís também comentou as vaias ouvidas no Maracanã antes e durante o confronto. “Sobre as vaias, a gente entende. Os jogadores precisam de carinho, mas não podemos pedir isso. Os jogadores precisam mostrar em campo. A gente está carente, digamos, mas por culpa nossa. É difícil quando está nesse ambiente fazer as ações. Sobre o segundo tempo, alguns jogadores não tinham se recuperado de quinta-feira, como Cebolinha e Carrascal, e o Madureira também cansou e sabíamos que iríamos melhorar. Fiz mudanças já pensando na quinta-feira”, completou.
O treinador ainda comparou o ambiente rubro-negro a grandes clubes do futebol mundial. “A pressão no Flamengo eu nunca vi em outro lugar, talvez o Real Madrid seja assim. A pressão local é incrível. Mas quem vem para cá sabe que é assim. Não acho que o problema é o excesso de críticas, mas sim o excesso de elogio quando as coisas vão bem. Você é colocado em tal patamar que não está preparado para cair. Isso aconteceu comigo em 2019 quando tive uma lesão, mas reverti. Todo jogador tem um processo, alguns revertem rápido, alguns demoram, outros não conseguem e vai de cada um pedir ajuda. A pressão é um privilégio. Temos elenco para brigar por tudo e por isso a pressão é grande”, concluiu.
Mesmo com vitórias recentes, como o 2 a 1 sobre o Botafogo pelas quartas de final do Carioca, o desempenho coletivo ainda é alvo de questionamentos por parte da torcida, que cobra evolução no padrão de jogo e maior consistência ao longo das partidas.
Foco na decisão da Recopa
As manifestações no Maracanã deixaram claro o clima de cobrança. Antes de a bola rolar, houve vaias, repetidas no intervalo. Ao fim da partida, o grito de “Quinta-feira é guerra” ecoou nas arquibancadas, já projetando o confronto decisivo contra o Lanús, pela volta da Recopa Sul-Americana, marcado para as 21h30, novamente no Maracanã.
O duelo é tratado internamente como ponto de virada para a equipe, que busca não apenas o título, mas também uma atuação mais convincente diante de sua torcida em meio a um início de temporada marcado por instabilidade.
Opinião da Redação Antenados no Futebol
Ao assumir publicamente a responsabilidade, Filipe Luís demonstra compreensão da dimensão do cargo que ocupa no Flamengo. No entanto, os números de 2026 evidenciam que o problema vai além de um ajuste pontual: trata-se de reconstruir confiança, padrão de jogo e estabilidade emocional em um elenco que, no ano passado, conviveu mais com elogios do que com questionamentos. A pressão no clube é estrutural e permanente, e o desafio do treinador será transformar cobrança em combustível competitivo antes que a instabilidade se torne uma crise prolongada. A decisão da Recopa pode ser o divisor de águas para redefinir o rumo da temporada?
