O Corinthians pode sofrer punições esportivas após o caso de injúria racial contra o goleiro Carlos Miguel, do Palmeiras, durante o Dérbi disputado na Neo Química Arena. A situação está sendo acompanhada pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), que aguarda o avanço das investigações para definir possíveis encaminhamentos.

De acordo com o procurador do STJD, Caio Porto Ferreira, o foco inicial está na identificação do torcedor responsável pelas ofensas. “Enxergo que as instituições devem agir firmemente contra toda e qualquer ação discriminatória. No caso, até o momento, não se identificou o torcedor ou a torcedora que teria ofendido com um ato racista o goleiro do Palmeiras”, afirmou à ESPN.

A Delegacia de Repressão aos Delitos de Intolerância Esportiva (DRADE) já solicitou imagens das câmeras de segurança ao Corinthians, em uma tentativa de localizar o autor. Caso isso ocorra, as punições serão direcionadas diretamente ao envolvido.

Clubes devem ser punidos por casos de injúria racial praticados pelas torcidas?

Clubes devem ser punidos por casos de injúria racial praticados pelas torcidas?

Sim
Não
Indiferente

28 fãs já votaram

“Mas, em se tratando de conseguirmos identificar o torcedor ou a torcedora, estaria sujeito a afastamento dos estádios em até 720 dias, e também a um processo criminal, porque isso configura crime”, explicou o procurador, destacando a gravidade do caso.

O que pode acontecer com o Corinthians no STJD

Se o responsável não for identificado, o cenário muda e pode atingir o próprio clube. Segundo Caio Porto Ferreira, o STJD pode exigir medidas educativas como forma de responsabilização indireta da instituição.

Carlos Miguel goleiro do Palmeiras durante partida contra o Corinthians no estádio Arena Corinthians pelo campeonato Brasileiro A 2026. Foto: Ettore Chiereguini/AGIF

“Uma vez que não pudermos identificar, temos que exigir do clube, para que o clube possa, por meio de uma pena pedagógica, conscientizar seus torcedores. […] E por enquanto não aconteceu”, disse o procurador, ao comentar a ausência de identificação até o momento.

“As investigações prosseguem, a Polícia Civil instaurou boletim de ocorrência, está iniciando um inquérito policial, imagens estão sendo solicitadas. As instituições estão trabalhando e vão reprimir de forma exemplar essa conduta reprovável”, completou.

Clubes se posicionam após o episódio

O caso foi inicialmente divulgado pelo Palmeiras, que se solidarizou com o goleiro e cobrou providências. “Não podemos tolerar o racismo”, afirmou o clube em nota oficial após a partida.

O Corinthians também se manifestou publicamente, repudiando o ocorrido e prometendo colaboração com as autoridades. “O clube repudia de forma veemente qualquer ato de racismo ou discriminação […] Não há espaço para o racismo no futebol e na sociedade”, destacou a diretoria em comunicado.