O Botafogo foi superado por 1 a 0 pelo Nacional Potosí, na Bolívia, em uma partida marcada pelas dificuldades impostas pela altitude próxima dos 4 mil metros e por problemas defensivos que se repetiram ao longo dos 90 minutos. Apesar de um primeiro tempo competitivo dentro das circunstâncias, a equipe brasileira sofreu o gol logo no início da etapa final e passou a conviver com pressão constante dos mandantes.

Na primeira metade do confronto, o time comandado por Martín Anselmi, que tinha um bom histórico na altitude, apresentou uma proposta cautelosa, com linhas mais baixas e tentando explorar transições rápidas quando recuperava a posse.

O Nacional conseguiu finalizar diversas vezes de média distância e ainda acertou a trave em jogada aérea, evidenciando dificuldades do sistema defensivo alvinegro, especialmente na marcação dentro da área. Mesmo assim, o Botafogo também criou oportunidades e teve a chance mais clara antes do intervalo, quando Matheus Martins saiu cara a cara com o goleiro, mas finalizou para fora.

Martin Anselmi tecnico do Botafogo durante partida contra o Fluminense no estadio Maracana pelo campeonato Brasileiro A 2026. Foto: Thiago Ribeiro/AGIF

Pressão na altitude expõe fragilidade defensiva do Botafogo

O cenário mudou rapidamente após o intervalo. Com apenas um minuto, Baldomar apareceu livre na primeira trave para abrir o placar em cruzamento vindo da esquerda, lance que reforçou a vulnerabilidade do Botafogo nas bolas levantadas na área. A partir daí, o Nacional manteanto postura ofensiva, acumulando chegadas perigosas, incluindo um gol anulado por impedimento e finalizações próximas da meta defendida por Léo Linck.

Mesmo em desvantagem, o Botafogo teve oportunidades para empatar. Montoro acertou a trave em chance clara dentro da área e Alex Telles obrigou o goleiro adversário a grande defesa em cobrança de falta. Ainda assim, a equipe encontrou dificuldades para sustentar posse no campo ofensivo e raramente conseguiu transformar recuperações de bola em contra-ataques organizados, algo essencial em jogos sob efeito da altitude.

Análise tática e estratégia de Anselmi

A escolha de atuar com três zagueiros e alas mais recuados tinha como objetivo proteger a área e reduzir espaços, estratégia comum para partidas em condições físicas adversas. No entanto, a execução apresentou falhas importantes. Houve desorganização na bola aérea defensiva, com marcações perdidas na primeira trave e dificuldades de coordenação entre zagueiros e laterais. Além disso, a tentativa de sair jogando curto em determinados momentos aumentou riscos, especialmente quando jogadores da defesa assumiram conduções longas sob pressão.

Para evitar que a pressão na altitude se torne um problema recorrente, o Botafogo precisa ajustar dois pontos principais. Primeiro, melhorar a sincronização defensiva nas bolas cruzadas, com definição clara de responsabilidades individuais. Segundo, adotar saídas mais diretas em contextos de desgaste físico elevado, reduzindo perdas perigosas próximas da própria área. A proposta de Anselmi faz sentido conceitualmente, mas depende de execução mais segura para não expor o setor defensivo.

Opinião da redação do Antenados

O resultado mantém o confronto aberto, mas evidencia que o Botafogo precisará apresentar maior consistência defensiva e eficiência nas oportunidades criadas para reverter o cenário no jogo de volta.