Camisa 10 do Uruguai e principal referência técnica do Flamengo, Arrascaeta deu uma declaração que chamou atenção ao analisar seu próprio encaixe na seleção nacional. Em entrevista ao podcast 10 & Faixa, de Diego Ribas, o meia afirmou que, pelas características históricas de jogo, acredita que renderia mais defendendo o Brasil do que a Celeste.

De acordo com o jornalista Rodrigo Mattos, do UOL, a fala repercutiu internamente por tocar em um ponto sensível do futebol uruguaio: a dificuldade de jogadores mais criativos se adaptarem a um modelo tradicionalmente físico e defensivo. Arrascaeta foi direto ao explicar seu raciocínio, sem relativizar o peso de defender o seu país.

Bielsa, intensidade e o peso do jogo físico

“Pelo meu estilo de jogo, eu me encaixo mais na seleção brasileira do que na seleção do Uruguai, pelas características de jogo que o Brasil sempre teve”, afirmou Arrascaeta, ao comparar as propostas históricas das duas seleções. Na sequência, o meia explicou como a intensidade interfere diretamente no seu rendimento.

“O Uruguai é um time mais defensivo, aguerrido, muito contato físico, contra-ataque. A gente quando está lá sofre muito, agora com Bielsa também”, disse. Arrascaeta ainda lembrou que, sob o comando de Óscar Tabárez, o cenário era semelhante: “Era um jogo de contato, ida e volta, acabava sofrendo bastante, não só eu, mas quem jogava nessa posição”.

Opinião da Redação Antenados no Futebol

A leitura de Arrascaeta é lúcida e escancara um dilema recorrente do futebol sul-americano: até que ponto a identidade histórica pode engessar o talento? Quando um dos meias mais técnicos do continente admite que sofreria menos em um modelo mais associativo, fica a pergunta: Será que o Uruguai não perde justamente aquilo que pode torná-lo mais imprevisível?

RJ – Rio de Janeiro – 28/06/2021 – COPA AMERICA 2021, URUGUAI X PARAGUAI – De Arrascaeta jogador do Uruguai durante partida contra o Paraguai no estadio Engenhao pelo campeonato Copa America 2021. Foto: Jorge Rodrigues/AGIF

Convocado para a seleção uruguaia desde 2014, Arrascaeta caminha para disputar sua terceira Copa do Mundo em 2026, após as participações em 2018 e 2022. Mesmo com status consolidado, o meia segue lidando com o desafio de adaptar seu jogo a um contexto que exige mais físico do que criação.


No Flamengo, a expectativa é diferente. Prestes a alcançar a marca de 100 gols com a camisa rubro-negra, Arrascaeta busca retomar o melhor ritmo físico neste início de temporada. O clube trabalha com cautela para repetir o plano que resultou em sua melhor fase, enquanto acompanha de perto o desgaste do jogador em ano de Copa do Mundo.