Dois meses depois da confusão que marcou a final do Campeonato Mineiro de 2026, o episódio envolvendo Cruzeiro e Atlético-MG voltou ao centro das atenções após declarações de Tite ao programa “Abre Aspas”. O treinador, que comandava a Raposa na conquista estadual, abriu o jogo sobre o ambiente vivido no Mineirão e admitiu que a tensão entre os lados já vinha sendo alimentada antes mesmo da bola rolar.

Na decisão disputada em março, o Cruzeiro venceu o rival por 1 a 0 e levantou o troféu estadual, mas o cenário esportivo acabou ofuscado pela pancadaria generalizada registrada após o lance envolvendo Everson e Christian. A partida terminou com 23 expulsões, número que entrou para a história do clássico mineiro.

Durante a entrevista, Tite afirmou que o clima pesado era perceptível ainda antes do tumulto acontecer. Segundo ele, o episódio decisivo apenas acelerou um desgaste que já vinha sendo construído por rivalidades recentes e provocações acumuladas entre os clubes. “Isso estava no ar, contagiar o episódio no final do jogo”, afirmou o treinador. Na sequência, ele completou: “muita coisa passada, mas ali foram situações passadas que já aconteceram, de rivalidades que já aconteceram, de provocações que já aconteceram”.

Tite aponta rivalidade acumulada como combustível para explosão

Ao tentar explicar as origens do confronto entre os jogadores, Tite voltou ao Campeonato Mineiro de 2025 e citou o impacto da ausência do Cruzeiro naquela decisão estadual. Para o treinador, aquele contexto ajudou a ampliar a rivalidade entre os dois lados nos meses seguintes. “Eu só comecei a entender isso depois também, e passado o tempo, às vezes, a gente começa a entender uma situação do ano anterior, do Cruzeiro não ter classificado para a final e ter ficado fora para o América”, disse tite.

O ex-comandante celeste também comentou o lance envolvendo Everson e Christian, tratado por ele como o ponto de ruptura da final. Na visão do treinador, a falta cometida pelo atacante cruzeirense fazia parte do jogo, mas a resposta do goleiro atleticano acabou incendiando o ambiente. “Quando aconteceu o episódio, nós estávamos na iminência do título. Foi feito uma falta tática, eu considero assim, o Christian fez uma falta tática no Everson, porém a reação dele foi desmedida. Ela foi o estopim para que acontecesse [a briga]”.

 Briga generalizada entre jogadores do Cruzeiro com jogadores do Atlético durante partida no estádio Mineirão pelo campeonato Mineiro 2026. Foto: Gilson Lobo/AGIF

Na sequência do relato, Tite detalhou a dificuldade de controlar os atletas em meio à confusão espalhada pelo gramado do Mineirão. O treinador afirmou que tentou afastar jogadores dos focos de conflito, mas reconheceu que o cenário já havia fugido completamente do controle. “Eu entrei justamente para tirar o máximo de pessoas. Quando acalmava de um lado, estourava no outro. Aí eu digo: ‘calma, tira, sai, sai’. Tentando tirar, mas não tinha condições”.

Opinião: as declarações de Tite revelam um problema além do clássico

As falas do treinador mostram que a violência daquela final não nasceu apenas de um lance isolado. O relato evidencia como rivalidades mal administradas, episódios anteriores e provocações acumuladas podem transformar um jogo decisivo em um ambiente emocionalmente descontrolado. O clássico extrapolou o futebol e terminou marcado por imagens negativas para o esporte brasileiro.

Outro ponto importante é o reconhecimento público de Tite sobre a gravidade da situação. Mesmo campeão, o treinador preferiu destacar o impacto da briga em vez da conquista do título. O tom adotado deixa claro que o episódio ainda pesa internamente no ambiente dos clubes e reforça a necessidade de controle emocional em partidas de alta rivalidade. A entrevista também expõe que existiam conflitos pessoais anteriores entre alguns envolvidos, algo que ajuda a explicar a dimensão da confusão registrada naquela final no Mineirão.