O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, se posicionou de forma contundente sobre o pedido de recuperação judicial da SAF do Botafogo. Durante participação em evento em Campinas, o dirigente utilizou o caso para defender mudanças urgentes no modelo de Sociedade Anônima do Futebol no Brasil.


Ao comentar o cenário envolvendo o clube alvinegro, Baptista levantou dúvidas sobre a evolução das dívidas após a implementação da SAF. Segundo o dirigente, o passivo do Botafogo saltou de aproximadamente R$ 700 milhões na constituição para um valor atual que seria 3,5 vezes maior, conforme relatado em entrevista à Itatiaia.


O mandatário rubro-negro criticou a inclusão de dívidas recentes no processo jurídico. Para ele, o mecanismo de recuperação está sendo usado para abarcar débitos que surgiram após a venda do futebol, o que desvirtuaria a solução inicial proposta para sanar o clube.

Você concorda com o presidente do Flamengo sobre a necessidade de endurecer as regras das SAFs no Brasil?

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Sim. Os investidores precisam ser punidos se as dívidas aumentarem.
Não. O modelo de SAF é novo e precisa de tempo para se estabilizar.
Em partes. A SAF é positiva, mas a recuperação judicial precisa de limites.

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BAP questiona crescimento de dívida do Botafogo

“Você não cobriu a dívida, fez mais R$ 1 bilhão de dívida, e agora é um pacote único de reformulação?”, questionou o dirigente. Ele reforçou que, embora o mecanismo da SAF seja válido e importante, o sistema atual carece de limitações e contrapartidas mais rígidas para os investidores.


No contexto das cobranças, BAP defendeu que o mercado brasileiro precisa de maior rigor. Ele argumenta que investidores que não cumprem os compromissos assumidos não podem “sair ilesos”, sugerindo que a falta de punição gera insegurança para todo o ecossistema do futebol.

RJ – RIO DE JANEIRO – 08/03/2026 – CARIOCA 2026, FLUMINENSE X FLAMENGO – Leonardo Jardim, Bap e Boto dirigentes do Flamengo levanta a taca de campeao durante cerimonia de premiacao ao final da partida contra o Fluminense no estadio Maracana pela decisao do campeonato Carioca 2026. Foto: Thiago Ribeiro/AGIF


Apesar do tom crítico ao caso específico, o presidente do Flamengo citou exemplos que considera positivos, como o Red Bull Bragantino, o Bahia e clubes de menor porte. Nestes casos, o dirigente destacou que as dívidas foram sanadas e os compromissos financeiros estão sendo rigorosamente cumpridos.

Defesa de punições e análise de mercado

O dirigente concluiu que o dinheiro estrangeiro é bem-vindo, desde que sirva para honrar palavras e contratos. Para ele, o debate agora deve se concentrar em como punir severamente gestões que utilizam a estrutura da SAF para expandir passivos sem a devida responsabilidade financeira.


A fala de Luiz Eduardo Baptista expõe o dilema entre investimento agressivo e sustentabilidade. O caso do Botafogo torna-se, assim, um ponto de inflexão para o futebol brasileiro, testando a segurança jurídica e a governança das novas estruturas corporativas do esporte nacional.