O futebol está de luto. Morreu na madrugada desta sexta-feira (09) o ex-jogador Gilmar Luís de Santana, conhecido como Biribinha, em sua residência, no bairro da Rua Nova, em Feira de Santana, no interior da Bahia. O ex-atleta enfrentava complicações em decorrência da diabete.

Nascido em Coelhos, no Recife, Biribinha chegou ainda criança a Feira de Santana, acompanhando os pais Manoel Luiz de Santana, o Decadela, e Filomena Felix Santana. Canhoto, rápido e dono de drible fácil, cresceu em meio ao futebol de rua e ganhou o apelido pela semelhança com o ponta Biriba, do Bahia. Desde cedo, chamava atenção pelo talento e pela irreverência, marcas que o acompanhariam por toda a carreira.

Ainda adolescente, passou por experiências no futebol paulista e integrou categorias de base de clubes tradicionais, convivendo com jogadores que futuramente se tornariam ídolos nacionais. No Fluminense do Rio, viveu episódios que simbolizavam seu perfil irreverente, como o episódio em que caiu sobre o técnico Pinheiro ao tentar entrar escondido na concentração, fato que encerrou sua passagem pelo clube.

Tricampeonato juvenil e história em São Januário

Foi no Vasco da Gama que Biribinha viveu um dos capítulos mais marcantes da carreira. Em São Januário, tornou-se tricampeão carioca juvenil (1972, 1973 e 1974) ao lado de nomes históricos como Roberto Dinamite, com quem construiu forte amizade, além de Jorginho Carvoeiro, Gaúcho, Pastoril, Mazaropi e Paulinho. O talento em campo contrastava com atitudes fora dele, que acabaram culminando em seu afastamento do clube em 1974.

De volta a Feira de Santana, assinou com o Fluminense de Feira e protagonizou momentos memoráveis, como no amistoso contra o Flamengo, quando “entortou” o lateral Alcione. A atuação chamou atenção do técnico Aristóbulo Mesquita, que pediu sua contratação imediata pelo clube carioca. Apesar do pedido de permanência feito por Zico, Biribinha acabou não seguindo no Flamengo após impasses contratuais.

Irreverência, carreira internacional e legado

Biribinha tornou-se tricampeão carioca juvenil (1972, 1973 e 1974) ao lado de nomes históricos como Roberto Dinamite. Foto: Arquivo pessoal

A trajetória seguiu por caminhos pouco convencionais. Segundo relato do jornalista feirense, Zadir Marques Porto, Biribinha recusou propostas por decisões pessoais, como quando afirmou: “Tudo certo para assinar contrato. Eu havia pedido um Karma Gia zero de luvas, eles me deram outro carro, e eu não assinei!”. Viveu um período afastado do futebol profissional ao integrar o grupo Novos Baianos, sendo homenageado por Pepeu Gomes com a música “Biribinha nos States”.

No exterior, teve passagens de destaque pelos Estados Unidos, México e Chile, encerrando a carreira como jogador e iniciando brevemente a de treinador antes de se afastar definitivamente do futebol. Mesmo após enfrentar duas amputações nos membros inferiores, manteve o espírito irreverente e brincalhão. Biribinha deixa uma história singular no Vasco, no futebol brasileiro e na memória afetiva de quem acompanhou sua trajetória fora dos padrões.