Flamengo fora da Copinha e o impacto na formação de atletas
Vivendo um período positivo no comando do Persija Jakarta, da Indonésia, o técnico Maurício Souza comentou de forma exclusiva à Super Rádio Tupi a decisão do Flamengo de não disputar a Copa São Paulo de Futebol Júnior de 2026. Com histórico vencedor nas categorias de base rubro-negras, o treinador deixou claro que a ausência do clube no torneio representa uma perda significativa para a competição e para o desenvolvimento dos jovens atletas.
Na avaliação de Maurício, a Copinha segue sendo uma das principais vitrines do futebol brasileiro, mas tem sofrido diretamente com o avanço do calendário profissional sobre as divisões de formação. Ele lembrou da experiência vivida em 2018, quando conquistou o título pelo Flamengo, destacando que, mesmo naquela época, a logística já exigia sacrifícios físicos importantes dos jogadores.
“É uma pena porque, sem dúvida nenhuma, o Flamengo engrandece a competição. Mas já de algum tempo o Flamengo tem iniciado o campeonato profissional com a equipe sub-20”.
Calendário cheio e reflexos na base
Ao aprofundar a análise, Maurício chamou atenção para o crescimento das competições sub-20 e como isso tem criado conflitos de agenda. Para ele, a sobrecarga compromete a força de equipes tradicionais na Copinha e esvazia o torneio tecnicamente.
“Eu acredito que continua sendo uma vitrine. Mas o que acontece é que o calendário sub-20 também cresceu muito. É uma pena, realmente, que o calendário profissional tenha crescido tanto a ponto de ter que contemplar algumas equipes sub-20 a iniciar a competição estadual e, com isso, você acaba enfraquecendo algumas equipes na disputa da Copinha”.
Essa leitura se conecta com uma crítica mais ampla ao ambiente do futebol brasileiro, especialmente em clubes de grande torcida, como Flamengo e Vasco. Segundo o treinador, a pressão externa constante interfere no planejamento interno e dificulta a continuidade de projetos a médio e longo prazo.
“Muitas vezes você cede às pressões externas, à pressão interna. Existe em muitos clubes uma pressão externa muito grande que acaba mexendo com a parte interna do clube e você acaba cedendo em algumas situações. E isso é uma coisa que eu não abro mão mais: de fazer aquilo que eu acredito independentemente do que está sendo comentado fora”.
Na comparação com o cenário asiático, Maurício destacou a diferença na relação entre crítica, mídia e trabalho diário do treinador. “A crítica existe como em todo lugar do mundo, só que não se compara ao que existe no Brasil hoje. O treinador é uma figura muito respeitada aqui, então as críticas são ponderadas. Você tem muito mais tranquilidade para trabalhar, muito mais respaldo, muito mais segurança naquilo que você está fazendo hoje aqui do que se tem no Brasil”.
Opinião da redação do Antenados no Futebol
A fala de Maurício Souza reflete um debate necessário no futebol brasileiro. A Copinha continua sendo um espaço fundamental de visibilidade e formação, mas decisões como a do Flamengo, que já foca em reforços e ajustes pontuais para o início da temporada, expõem um calendário cada vez mais desorganizado. O problema não está apenas na ausência de um clube tradicional, mas no modelo que obriga escolhas difíceis e prejudica a base. Enquanto isso não for revisto, a tendência é que o desenvolvimento de jovens talentos siga pagando o preço da priorização imediata do futebol profissional.
