A vitória do Corinthians sobre o São Paulo por 3 a 2, neste domingo, acabou acompanhada de uma nova discussão envolvendo arbitragem e gestos considerados obscenos dentro de campo. O centro da polêmica foi uma atitude do volante Bobadilla durante a comemoração do gol marcado por Luciano no clássico.
O árbitro Anderson Daronco chegou a ser chamado pelo VAR para revisar o lance, mas decidiu manter o jogador são-paulino em campo. A interpretação da equipe de arbitragem foi de que não houve contato direto com as partes íntimas, fator considerado determinante para não aplicar o cartão vermelho.
A decisão provocou forte reação do Corinthians nos bastidores. Após a partida, Marcelo Paz, diretor executivo de futebol do clube, criticou o entendimento adotado pela arbitragem e afirmou que o episódio cria uma diferença de critérios em relação a casos recentes envolvendo jogadores corintianos.
A arbitragem acertou ao não expulsar Bobadilla no clássico entre Corinthians e São Paulo?
A arbitragem acertou ao não expulsar Bobadilla no clássico entre Corinthians e São Paulo?
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Corinthians questiona critério usado pela arbitragem no clássico
“Infelizmente vamos falar novamente da arbitragem, mas acho importante pontuar hoje porque ganhamos um jogo. A fala não é por ter perdido o jogo, mas por uma questão até didática. O lance do Bobadilla, do São Paulo, (o árbitro) foi chamado pelo VAR para avaliar como gesto obsceno. E todo mundo sabe que fomos punidos com dois jogadores, em jogos diferentes, por um gesto obsceno. Aí a justificativa é que não tocou na área genital? Isso não é característica do gesto obsceno.”
Na sequência da entrevista, Marcelo Paz afirmou que o futebol brasileiro precisa estabelecer uma linha clara sobre esse tipo de situação para evitar interpretações diferentes em partidas distintas. O dirigente ainda ressaltou que o respeito à arbitragem não impede o Corinthians de pedir esclarecimentos formais à CBF.
“Aquele mesmo gesto em praça pública ou restaurante seria ofensivo. Se não cabe fora do futebol, não cabe dentro do futebol. Eu entendo que é um tema novo, há quantos anos existe futebol e esse tema surgiu agora? Talvez ainda não tenha compreensão exata de como agir. Daronco é experiente, tem todo meu respeito, a arbitragem não foi ruim, mas esse lance não pode passar, porque fomos punidos recentemente”, disse Marcelo Paz.
O executivo alvinegro também relembrou as expulsões de Allan e André em partidas anteriores do Corinthians e afirmou que o clube espera uma posição oficial da Comissão de Arbitragem já na próxima reunião com representantes da CBF. Segundo ele, a ausência de uniformidade prejudica o entendimento do que realmente será permitido nas competições nacionais.
“Ou pode fazer isso no futebol ou a arbitragem errou. Não tem meio termo. Então amanha, na reunião que estaremos presentes, ou a comissão de arbitragem reconhece que houve um erro, e ok, erros acontecem, ou está liberado fazer aqui. Esse é o ponto que trazemos aqui, com respeito, mas queremos uma resposta, uma definição para o bem do futebol, para que situações como essa fiquem bem claras do que pode fazer e o que não pode fazer. Os dois jogadores do Corinthians que fizeram o gesto foram expulsos, hoje se entendeu que não era gesto obsceno. Ou houve um erro ou está permitido fazer o que o Bobadilla fez”, finalizou.
Opinião: discussão expõe falta de padrão nas decisões
O episódio no clássico reforça um problema recorrente do futebol brasileiro: a dificuldade em estabelecer critérios consistentes para lances interpretativos. Quando decisões semelhantes recebem tratamentos diferentes, a tendência é aumentar a pressão sobre árbitros, VAR e também sobre a própria CBF.
Mesmo com a vitória no clássico e a saída da zona de rebaixamento, o Corinthians deixou o Morumbis mais preocupado com a condução das partidas do que propriamente com o resultado. O debate levantado por Marcelo Paz amplia a cobrança por transparência e pode forçar a Comissão de Arbitragem a se posicionar publicamente nos próximos dias.
