O Flamengo vive um momento delicado com Filipe Luís sob pressão após oscilação nesse início de temporada. Mas o clima de tensão pode ser ainda pior, já que o time que adquiriu em 2024 o terreno do Gasômetro para construir seu estádio próprio, corre o risco de perder a área, segundo o Coluna do Fla. De acordo com o especialista em direito imobiliário Fabricio Chicca, o problema envolve um impasse entre a União e a Prefeitura do Rio de Janeiro, situação que foge ao controle direto do clube.
Segundo Chicca, o terreno integra um acordo firmado entre a Prefeitura e a União. Como o município não executou obras previstas nesse compromisso, passou a ser cobrado em R$ 426 milhões e recebeu a sugestão de desfazer a sequência possessória, o que poderia resultar no cancelamento da compra realizada pelo Flamengo.
“O terreno foi transferido ao Fundo de Investimento Imobiliário Porto Maravilha. Anos depois, sem ter sido comercializado, foi desapropriado pela Prefeitura, por meio de hasta pública, com a finalidade de construção de um estádio. O Flamengo venceu a licitação e pagou pelo terreno, após acordo entre as partes, aproximadamente R$ 170 milhões (com algumas parcelas ainda a serem quitadas)”, explicou Chicca em suas redes sociais.
Especialista alerta para risco real de inviabilização
O próprio especialista reconheceu que parte dos obstáculos envolvendo o projeto seria contornável, mas destacou que o cenário atual está entre os mais delicados. “A solução não depende do Flamengo, e pode, sim, inviabilizar a construção do estádio”, afirmou Chicca, indicando que a definição passa por decisões institucionais fora da esfera rubro-negra.
A compra do terreno ocorreu ainda na gestão de Rodolfo Landim, com a promessa de entrega da nova arena em 2029. Contudo, após a mudança de comando, o presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, determinou a realização de novos estudos técnicos e financeiros, revisando o cronograma original.
Novo prazo e cautela financeira
Com a atual administração, a meta para conclusão do estádio passou a ser 2036 ou até depois. O investimento estimado gira em torno de R$ 2,2 bilhões, valor que exige planejamento rigoroso. Bap tem adotado postura cautelosa e reforçado que o projeto não pode comprometer a saúde financeira do clube nem afetar a capacidade de investimento no futebol.
O possível risco de perda do terreno surge em meio a um momento de pressão esportiva e institucional, ampliando os desafios da atual diretoria. Caso o impasse jurídico avance, o Flamengo poderá enfrentar não apenas atraso no projeto, mas também necessidade de reavaliar completamente sua estratégia para a construção do estádio próprio.
Opinião da Redação Antenados no Futebol
O entrave envolvendo o terreno do Gasômetro representa um teste decisivo para a governança do Flamengo. Ao depender de fatores externos à gestão, o clube se vê exposto a um risco estrutural que ultrapassa o campo esportivo. A cautela adotada por Bap em relação aos prazos e ao impacto financeiro mostra prudência, mas o cenário exige articulação política e jurídica eficiente. A pergunta inevitável é: o Flamengo conseguirá proteger seu maior projeto patrimonial sem comprometer sua competitividade dentro de campo?
