O Grêmio apresentou oficialmente Weverton na tarde desta sexta-feira, marcando o início de um novo capítulo para o setor defensivo do clube. Aos 38 anos, o goleiro chega a Porto Alegre sem custos após um acordo amigável para encerrar sua passagem pelo Palmeiras, onde construiu uma trajetória vitoriosa e consolidada no futebol brasileiro.
Durante a coletiva, Weverton explicou de forma clara o que pesou na decisão de aceitar o convite tricolor. Em suas palavras, o tamanho do clube e o desejo por novos desafios foram determinantes. “O que me trouxe aqui foi a grandeza do Grêmio. Sou um cara movido a desafios, eu amo um desafio. Me sinto muito bem preparado para assumir esse desafio. Talvez essa seja a maior pergunta das pessoas: ‘Por que você quer trocar a estabilidade ou um conforto?’ E é por isso mesmo, porque eu sou um atleta de alta performance, de alto nível, que amo o que eu faço, que amo trabalhar e me dedicar. O Fábio (Fluminense) é um grande exemplo do quanto um goleiro dedicado pode atuar em alto nível com 45, 46 anos”.
Experiência, concorrência e liderança no vestiário
Mesmo sem data definida para estrear, o goleiro garantiu estar em plenas condições físicas. Recuperado de uma pequena fissura na mão, Weverton revelou que abriu mão do período de descanso para manter a preparação em dia. “Eu tive uma lesão simples na mão, uma pequena fissura, disso eu já estou 100%, já tem quase um mês que voltei a treinar, dentro das minhas férias, eu abri mão delas para treinar bem, voltar bem. A hora da minha estreia quem vai decidir é o treinador, a hora que ele achar que pode contar comigo, a gente sabe da concorrência que tem no gol, os goleiros que (o time) tem aqui”.
Além da parte física, o projeto esportivo apresentado pelo Grêmio foi destacado como um ponto central da negociação. Weverton ressaltou a seriedade e o respeito como pilares do planejamento do clube. “Você conhece um projeto primeiro pela seriedade com que as pessoas tratam, como elas te tratam, a importância que elas te dão e a forma como tudo é tratado com respeito. O futebol é difícil, ele é duro, mas com muito trabalho e seriedade, você consegue competir no mais alto nível”.
Outro tema abordado foi a relação intensa entre torcida e clube, algo já conhecido no ambiente gremista. Para o goleiro, a cobrança faz parte do processo e caminha junto com o apoio. “Essa cobrança, eu vejo como natural, acho que todos aqui queremos a mesma coisa, temos os mesmos objetivos e o torcedor também. Mas eu percebo também que eles apoiam na mesma proporção, apoiam incondicionalmente. A gente tem que estar sempre preparado, a minha carreira foi pautada nisso. Eu sei viver momentos bons, mas também sei viver momentos ruins e foi isso que me fez chegar até aqui”.
Bagagem vencedora e cuidado mental como diferencial
Com passagem longa e vitoriosa pelo Palmeiras, Weverton acredita que pode contribuir além das quatro linhas. Ele destacou o papel do jogador experiente no dia a dia do elenco e a importância do ambiente interno. “Eu adoraria ter (quando mais novo) uma pessoa como eu hoje, para poder falar o que já viveu. Os jogadores experientes antigamente eram mais duros, mais bravos e davam mais ordem. Hoje as coisas são diferentes, a gente gosta de ensinar, de contar as experiências passadas. O vestiário é algo sagrado, os jogadores tem que ter harmonia. Só se faz uma equipe vencedora se todo mundo estiver disposto a abrir mão do próprio ego. Essa é a minha missão daqui para frente, ajudar não só em campo, óbvio, a minha principal função é fechar o gol, mas também contribuir com a minha experiência”.
A saúde mental também ganhou espaço na conversa. O goleiro falou abertamente sobre a necessidade de fortalecimento emocional para lidar com a pressão da carreira. “Esse é um tema cada vez mais forte e sério. Não só o atleta tem que se cuidar, todas as pessoas devem cuidar da sua mente. O que aprendi em todos esses anos da minha vida é entender e saber que ‘quem eu sou’, eu sou no momento bom ou no momento ruim. É difícil um atleta jogar bem a vida inteira, em algum momento ele vai ter dificuldade e isso é normal, mas você saber quem você é em todo tempo, é fundamental. Às vezes, quando as coisas não saem tão bem, vem geralmente a cobrança, a pressão e você começa a acreditar que aquilo é o seu destino, o que as pessoas pensam, e é nesse momento que você começa a se afundar. Então, eu acho que a saúde mental, e você se fortalecer mentalmente, é fundamental para conquistar qualquer coisa na vida”.
Por fim, ao mencionar o Palmeiras, Weverton fez questão de ressaltar o lado humano vivido no antigo clube, algo que ele carrega como valor pessoal. “Uma das características do Palmeiras que eu posso falar é o lado humano, o clube nunca pode tratar as pessoas só como um prestador de serviço. O Palmeiras sempre tentou tratar as pessoas da forma mais humana possível. Eu respeito quem consegue separar o lado pessoal do lado profissional, eu não consigo. Se eu sou um bom marido, um bom pai, um bom filho, eu também vou ser um bom atleta, vou ser um atleta dedicado. Esse lado humano não pode se apartar de nós, o respeito”.
Opinião da redação do Antenados no Futebol
A contratação de Weverton mostra um Grêmio atento não apenas ao rendimento imediato, mas também à construção de um elenco mais maduro. Mesmo com a idade avançada para a posição, o goleiro chega fisicamente preparado, com discurso alinhado e histórico vencedor. Em um grupo que busca estabilidade e liderança, o peso de sua experiência pode ser tão importante quanto as defesas dentro de campo.
