O presidente do Cuiabá, Cristiano Dresch, voltou a se posicionar publicamente sobre débitos pendentes de clubes da Série A, como o Santos, com a equipe mato-grossense. Em meio às cobranças, em entrevista à ESPN, o dirigente fez questão de diferenciar comportamentos e destacou que há pagamentos em andamento por parte do Corinthians.

A pendência envolvendo o clube paulista remonta à negociação do volante Raniele, firmada na temporada passada. Antes do início da quitação, o valor acumulado ultrapassava R$ 18 milhões, segundo o próprio dirigente. A situação, porém, começou a avançar recentemente.

Em entrevista concedida após a vitória do Dourado sobre o Goiás, fora de casa, Dresch confirmou o recebimento de mais uma parcela. “A gente está recebendo do Corinthians, inclusive recebemos uma parcela nesta sexta-feira”, declarou o mandatário, sinalizando cumprimento do acordo.

Você concorda com as críticas de Cristiano Dresch sobre clubes que acumulam dívidas no futebol brasileiro?

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Críticas e cobrança por punições mais rígidas ao Santos e Grêmio

Na sequência, o presidente do Cuiabá endureceu o discurso ao tratar de pendências envolvendo Santos, que perdeu para o Fluminense neste domingo (19), e Grêmio, que, segundo ele, seguem inadimplentes. O dirigente defendeu maior rigor da Câmara Nacional de Resolução de Disputas e criticou o que chamou de falta de responsabilidade financeira.

“O Santos nos deve 18 milhões de reais e continua com um comportamento irresponsável, né? Eu acho que o Fair Play financeiro precisa agir. Um clube como o Cuiabá ter 18 milhões a receber de uma equipe que está gastando sem responsabilidade nenhuma é um absurdo. Eu tive que fazer redução de custos este ano. Estou fazendo o possível e o impossível aqui para equilibrar as coisas. E, agora, você vê um cara que te deve 18 milhões, gasta, gasta, gasta e não para”, afirmou.

Foto: Reprodução/ Cuiabá Ec – Cristiano Dresch, vice-presidente do Cuiabá

Dresch também incluiu o clube gaúcho na lista de cobranças e ampliou o tom ao falar de desigualdade de riscos entre dirigentes. “O Grêmio nos deve 800 mil reais, há muito tempo não paga, sugere parcelamento em duas vezes e continua gastando, gastando. Então, meu amigo, a gente tem que parar com isso. Eu tenho fé e esperança de que o Fair Play financeiro venha, que a CNRD, órgão da CBF, seja mais enérgica e mais rápida, porque não dá para eu ficar aqui fazendo milagres enquanto esses clubes gastam de forma irresponsável. Vou falar aqui sempre, vou me expor sempre, porque o meu CPF está em jogo, né? O CPF do presidente do Santos não está em jogo, por isso ele age de forma irresponsável. O meu está em jogo. Então, essas falas são polêmicas, difíceis de ouvir, mas precisam ser ditas, porque não dá para eu vir aqui e sofrer, enquanto vemos que outras pessoas não estão fazendo o mesmo”, completou.

Opinião: o Fair Play financeiro como divisor de águas

O desabafo de Cristiano Dresch escancara uma assimetria estrutural no futebol brasileiro: clubes que buscam equilíbrio acabam penalizados quando credores enfrentam devedores com maior poder político e financeiro. A cobrança pública surge como estratégia para acelerar soluções que, nos bastidores, avançam lentamente.

Sem mecanismos ágeis e punições efetivas, o Fair Play financeiro corre o risco de se tornar apenas um discurso. A expectativa é que a atuação conjunta da Confederação Brasileira de Futebol e da CNRD traga respostas práticas, preservando a sustentabilidade do sistema e evitando que clubes organizados sigam arcando sozinhos com o custo da responsabilidade.