A possível venda da SAF do Vasco para o fundo Blue Star, comandado por Marco Lamacchia, passou a enfrentar um obstáculo relevante nos bastidores. De acordo com o jornalista Rodrigo Mattos, do UOL, integrantes da estrutura de Fair Play Financeiro da CBF já sinalizaram que o negócio pode esbarrar em regras de sustentabilidade vigentes a partir de 2026.
Lamacchia, enteado de Leila Pereira, presidente do Palmeiras, iniciou conversas com dirigentes vascaínos no fim do ano passado. As tratativas avançaram rapidamente naquele momento, mas perderam ritmo em janeiro de 2026 justamente após alertas feitos por membros da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol.
Interpretação jurídica equipara enteado a filho
O ponto central envolve o artigo 86 do Regulamento de Sustentabilidade Financeira, que proíbe uma mesma pessoa ou empresa, bem como parentes próximos, de exercer controle sobre mais de um clube na mesma divisão. Segundo a análise preliminar da CBF, o vínculo de enteado é juridicamente equiparado ao de filho, o que impediria Lamacchia de controlar o Vasco enquanto Leila Pereira seguir no comando do Palmeiras.
Apesar do entendimento interno, não há veto formal neste momento. A agência de Fair Play da CBF só analisará oficialmente o caso se o negócio for concluído e comunicado à confederação. Caso haja reprovação, o regulamento prevê um prazo de até 30 dias para que o clube resolva a situação.
Relação financeira com a Crefisa amplia atenção
O cenário ganha ainda mais atenção por conta da relação recente entre Vasco e Crefisa. No fim do ano passado, após a contratação de um empréstimo de R$ 80 milhões junto à instituição financeira presidida por Leila Pereira, surgiram informações de um novo acordo em negociação. A informação foi divulgada pelo jornalista Fábio Azevedo.
Segundo a apuração, a proposta envolve um repasse de R$ 5 milhões ao Vasco, com destinação específica: R$ 3 milhões para o departamento de remo e os outros R$ 2 milhões divididos entre futsal e basquete. Embora não esteja diretamente ligada à SAF, a proximidade institucional aumenta o rigor da análise regulatória.
Opinião da Redação Antenados no Futebol
O caso da SAF do Vasco escancara como o Fair Play Financeiro da CBF deixou de ser apenas um conceito e passou a interferir diretamente nos rumos políticos e econômicos dos clubes. A interpretação sobre vínculos familiares pode se tornar um divisor de águas para futuros investidores, e a pergunta que fica é: o regulamento está preparado para proteger o futebol ou vai travar soluções viáveis para clubes endividados?
