Em meio às vésperas da Copa do Mundo, a tensão geopolítica no mundo vem ficando cada vez mais estremecida. Neste sábado (28), os Estados Unidos atacaram o Irã em uma ação conjunta entre Estados Unidos e Israel. A situação, que amplia o conflito internacional, pode acabar influenciando diretamente a Copa do Mundo de 2026. Isso porque os Estados Unidos são um dos países-sede da competição, juntamente com México e Canadá. Diante desse cenário, surgem questionamentos sobre possíveis impactos esportivos, incluindo a chance de sanções e até mesmo exclusões do torneio.

Regulamento da FIFA e risco de sanções

O regulamento da FIFA prevê que países envolvidos em conflitos armados podem sofrer sanções esportivas, incluindo a exclusão de competições organizadas pela entidade. Um exemplo recente foi a Rússia, impedida de disputar a Copa do Mundo de 2022, no Catar, devido à guerra contra a Ucrânia.

Com os Estados Unidos diretamente envolvidos na ofensiva militar, surge a discussão sobre a possibilidade — ainda que remota e sem qualquer decisão oficial — de aplicação de medidas semelhantes. A situação é delicada principalmente porque o país é uma das sedes do Mundial, o que tornaria qualquer sanção ainda mais complexa do ponto de vista organizacional e político.

Participação do Irã vira dúvida

Se, por um lado, se discute a situação dos Estados Unidos como sede, por outro, a participação do Irã na Copa também virou incerteza. A seleção iraniana está no Grupo G, ao lado de Egito, Nova Zelândia e Bélgica. A equipe tem duas partidas marcadas para Los Angeles e uma em Seattle. Com o agravamento do conflito, passou a ser questionada a possibilidade de um boicote — algo que seria inédito na história da Copa do Mundo.

Vale lembrar que, no sorteio dos grupos realizado em dezembro do ano passado, a delegação iraniana não compareceu em protesto contra a dificuldade de obtenção de visto para entrada nos Estados Unidos. Internamente, é considerado provável o ausente do Irã não apenas em razão da agressão sofrida, mas também pelas preocupações com a segurança da equipe e dos torcedores.

O presidente da Federação Iraniana de Futebol, Mehdi Taj, afirmou que a participação no Mundial é improvável. “Com o que aconteceu hoje e com o ataque dos Estados Unidos, é improvável que possamos olhar para a Copa do Mundo com esperança, mas são os dirigentes do esporte que devem decidir sobre isso”, disse em discurso à TV estatal.

DOHA, QATAR – JUNE 05: Players of Iran pose for a team photo prior to the FIFA World Cup 2026 Qualifier match between Qatar and IR Iran at Jassim Bin Hamad Stadium on June 05, 2025 in Doha, Qatar. (Photo by Mohamed Farag/Getty Images)

FIFA monitora o conflito

A FIFA também acompanha atentamente os desdobramentos. O secretário-geral da entidade, Mattias Grafstrom, comentou a situação e destacou cautela diante dos acontecimentos. A entidade, até o momento, não anunciou qualquer medida oficial

“Fiquei sabendo das notícias assim como vocês, nesta manhã. Seria prematuro comentar sem saber detalhes. Mas é claro que vamos monitorar o desenvolvimento de todos os problemas ao redor do mundo. Nós tivemos o sorteio dos grupos em Washington, e todos os times participaram. Nosso foco é termos uma Copa do Mundo segura, com todo mundo lá”, apontou.

Possível mudança de sedes em discussão

Ainda existe a discussão interna sobre a possibilidade de transferir jogos específicos, como os da seleção do Irã, para outros países-sede, como México ou Canadá. A medida teria como objetivo contornar restrições de visto e garantir maior segurança para a delegação e torcedores.

No entanto, nenhuma decisão final foi tomada até o momento. Com a proximidade da Copa do Mundo e o cenário internacional cada vez mais tenso, a competição passa a conviver com uma incerteza que vai além do futebol, envolvendo política, diplomacia e segurança internacional.